A Meta acelera na corrida pela inteligência artificial (IA) para não ficar para trás em relação à OpenAI e Google. Após o investimento na Scale AI, Zuckerberg mira na aquisição de startups de elite como Perplexity e Thinking Machines Lab, mas encontra diversos obstáculos.
Summary
A inteligência artificial (AI) no centro da estratégia da Meta
Nos últimos meses, Meta intensificou os seus esforços para se afirmar como um dos protagonistas no panorama da inteligência artificial generativa.
Após um início promissor com os modelos LLaMA, a empresa de Menlo Park parece estar em dificuldade para acompanhar os líderes do setor, principalmente OpenAI e Google DeepMind.
Para preencher essa lacuna, Mark Zuckerberg iniciou uma verdadeira “caça aos talentos” e às startups emergentes. O objetivo?
Reforçar a divisão de IA da empresa e dar novo impulso ao desenvolvimento de modelos avançados, capazes de competir com ChatGPT, Gemini e os outros gigantes da IA.
De acordo com fontes autorizadas como Bloomberg e The Verge, a Meta teria iniciado contatos preliminares com algumas das startups mais promissoras do setor. Entre estas:
- Perplexity.ai, o motor de busca baseado em IA que está ganhando popularidade graças a uma interface conversacional rápida e eficiente.
- Thinking Machines Lab, laboratório especializado no desenvolvimento de modelos em larga escala e na concepção de sistemas inteligentes distribuídos.
- Safe Superintelligence (SSI), a nova aposta dos ex-executivos da OpenAI, Ilya Sutskever e Mira Murati, focada no desenvolvimento de uma inteligência artificial segura e controlável.
No entanto, as negociações não parecem ter dado os frutos esperados. As startups teriam de fato recusado as ofertas da Meta, por divergências sobre visão estratégica, estrutura empresarial e, sobretudo, governança.
O plano B de Zuckerberg: contratar os melhores talentos
Perante a recusa por parte das startups, Zuckerberg não se rendeu. Segundo relatos, a Meta teria tentado recrutar diretamente os CEOs e os principais desenvolvedores de algumas dessas empresas. Em particular, surgiram os nomes de:
- Daniel Gross, CEO da Safe Superintelligence e conhecido investidor no setor tech;
- Nat Friedman, ex CEO do GitHub e figura central no ecossistema open source.
As ofertas feitas aos potenciais candidatos teriam sido extremamente generosas, em alguns casos até superiores a 100 milhões de dólares, mas até agora nenhuma negociação foi bem-sucedida.
O motivo? Provavelmente uma mistura entre independência dos projetos, ambição pessoal e pouca confiança no roadmap AI de Meta.
A pressão da Meta sobre as startups e os talentos da IA reflete um certo estado de alerta dentro da empresa.
Se, por um lado, a presença da AI nas redes sociais do grupo (como Instagram, Facebook e WhatsApp) obteve uma boa penetração entre os usuários – mais de 1 bilhão alcançados em maio, por outro lado, as prestações dos modelos linguísticos internos ainda são decepcionantes.
Um claro exemplo é o projeto Behemoth, inicialmente previsto para a primeira metade de 2025 e agora adiado para o final do ano devido a problemas relacionados à qualidade das respostas e à estabilidade do sistema.
Da mesma forma, LLaMA 4 não alcançou os resultados esperados, levando o próprio Zuckerberg a revisar toda a organização da equipe de IA e criar uma nova unidade “Superintelligence” sob sua direção.
Apesar dos seus esforços, a posição da Meta no panorama global de IA começa a se assemelhar cada vez mais à da Apple ou xAI, a empresa fundada por Elon Musk.
Também a Apple aposta na Perplexity: uma corrida a dois?
Grandes recursos, uma base de usuários imensa e infraestruturas sólidas… mas incapacidade de competir verdadeiramente nos modelos de fronteira.
OpenAI, com o ChatGPT-4o, e Google, com o Gemini 1.5, continuam de fato a dominar a cena graças a uma combinação de inovação técnica, rapidez de lançamento e comunidade ativa.
Neste contexto, a Meta corre o risco de se tornar um ator secundário, especialmente se não conseguir fechar a lacuna qualitativa entre seus modelos e os da concorrência.
Como demonstração do valor estratégico de algumas startups de IA, até mesmo A Apple teria demonstrado interesse pela Perplexity, provavelmente para potencializar a Siri e os serviços de pesquisa e assistência vocal baseados em IA.
A manobra destaca como as startups AI são hoje o ativo mais disputado entre os big tech, e o quanto é difícil conseguir emergir sem uma tecnologia proprietária de alto nível. A corrida pela AI está mais acirrada do que nunca, e a Meta encontra-se em uma encruzilhada estratégica.
Após as recusas das principais startups emergentes, Zuckerberg terá que decidir se continua com aquisições direcionadas, investe ainda mais no desenvolvimento interno ou adota uma nova abordagem colaborativa, talvez open source, para permanecer competitivo.
O que é certo é que o tempo está a esgotar-se, e OpenAI e Google não esperam por ninguém.

