Algo incomum aconteceu no setor de mineração de Bitcoin neste verão: empresas criadas para processar transações de criptomoedas começaram a assinar alguns dos maiores contratos de infraestrutura de IA da indústria. A onda de acordos de IA com mineradoras de Bitcoin registrada até julho redesenhou silenciosamente o mapa de investimentos de um setor que muitos já haviam descartado como uma aposta de mão única nos preços das criptos.
Summary
Principais destaques
- O rastreador de acordos da Bernstein registrou mais de 7,5 gigawatts em contratos de mineração de Bitcoin relacionados à IA até julho, equivalentes a US$ 150 bilhões em compromissos plurianuais.
- A Hut 8 assinou um contrato de locação de 15 anos, no valor de US$ 9,8 bilhões para seu campus de data center de IA; a IREN divulgou US$ 2,8 bilhões em contratos de serviços de nuvem com desenvolvedores de IA.
- O contrato de locação de 20 anos da TeraWulf com a Anthropic pode gerar cerca de US$ 19 bilhões em receita contratual; a MARA Holdings está adquirindo um local no Texas com até 2 gigawatts de capacidade.
- A Bernstein classifica a maioria das ações de mineradoras de Bitcoin como outperform (desempenho acima da média), com a MARA como exceção, em desempenho em linha com o mercado (market perform).
- A resistência política a novos data centers de IA — do Texas ao Oregon e até o nível federal — está tornando a infraestrutura existente das mineradoras de Bitcoin mais difícil de substituir.
Empresas de mineração de Bitcoin garantem acordos de infraestrutura de IA de múltiplos gigawatts
Os números são difíceis de ignorar. Segundo uma nota de pesquisa da Bernstein compartilhada com a Cointelegraph, o rastreador de acordos da indústria de mineração de Bitcoin da empresa registrou um novo acordo relacionado à IA toda semana em julho. Ao final do mês, o volume combinado de acordos havia ultrapassado 7,5 gigawatts, representando o equivalente contratado de US$ 150 bilhões em contratos plurianuais. Esse ritmo — um acordo por semana — sugere que isso não é uma tendência passageira; é uma mudança estrutural.
Principais acordos anunciados por Hut 8, IREN, MARA e TeraWulf
A transação de maior destaque veio da Hut 8, que assinou um contrato de locação de 15 anos, no valor de US$ 9,8 bilhões para seu campus de data center de IA. O CEO Asher Genoot disse à CNBC que o contrato era a prova de que a mudança da empresa, da mineração de Bitcoin para infraestrutura de IA, está valendo a pena.
A IREN se moveu em paralelo, divulgando US$ 2,8 bilhões em contratos de serviços de nuvem com desenvolvedores de IA. O colaborador da Seeking Alpha, The Curious Analyst, descreveu o desenvolvimento de forma direta: “A IREN está começando a converter essa vantagem de infraestrutura em receita contratada e mais previsível. O maior risco para a minha tese é a execução.” Essa palavra — execução — importará mais do que qualquer número de manchete à medida que esses acordos avancem do anúncio para o fluxo de caixa.
A TeraWulf foi ainda mais longe, assinando um contrato de locação de data center de 20 anos com a startup de IA Anthropic. A empresa afirmou que o acordo pode gerar cerca de US$ 19 bilhões em receita contratual ao longo de sua duração. A MARA Holdings, por sua vez, anunciou planos para adquirir um local no Texas com até 2 gigawatts de capacidade para expansão de infraestrutura de IA e digital. A Bitdeer também avançou em serviços de nuvem de IA e computação de alto desempenho, completando uma reconfiguração em todo o setor que teria parecido implausível apenas dois anos atrás.
Escala e valor dos contratos de mineração de Bitcoin relacionados à IA
Para colocar os números agregados em contexto: US$ 150 bilhões em compromissos contratados plurianuais não são um pipeline especulativo — representam acordos comerciais vinculantes ou quase vinculantes entre mineradoras de Bitcoin e alguns dos players mais capitalizados em IA. A velocidade de acumulação de acordos, um por semana apenas em julho, aponta para uma urgência genuína do lado da IA, em vez de uma negociação oportunista por parte das mineradoras em busca de uma nova narrativa.
O mercado respondeu de acordo. As ações de mineradoras de Bitcoin registraram ganhos de dois dígitos na segunda-feira seguinte aos anúncios da Hut 8 e da IREN. Antes da abertura da Nasdaq na quinta-feira, as ações da HUT 8 subiam 5,23%, as da IREN 1,89% e as da TeraWulf 1,49%. O ETF CoinShares Bitcoin Mining (WGMI), que acompanha o setor, subiu 1,47% nas negociações de pré-mercado.
Perspectiva positiva da Bernstein sobre a mineração de Bitcoin em meio a restrições de energia para IA
A Bernstein continua otimista em relação ao setor de mineração de Bitcoin, e sua justificativa vai além do volume de acordos. A tese central da empresa é que o acesso à energia é o verdadeiro gargalo da indústria de IA — e que as mineradoras de Bitcoin, que passaram anos adquirindo e operando infraestrutura de energia em grande escala em locais já atendidos por concessionárias, estão em uma posição única para preencher essa lacuna.
Importância da capacidade de computação de terceiros para empresas de IA
O argumento estrutural é simples. Desenvolvedores de IA precisam de gigawatts de energia confiável, e precisam disso mais rápido do que os prazos de licenciamento para data centers totalmente novos permitem. As mineradoras de Bitcoin já possuem os locais, as conexões à rede elétrica e, em muitos casos, os equipamentos de refrigeração e de fornecimento de energia. A capacidade de computação de terceiros desses operadores continuará altamente valiosa justamente porque construir do zero está se tornando politicamente e logisticamente mais difícil — não mais fácil.
Classificação otimista do setor e desempenho das ações
A Bernstein atribuiu uma classificação outperform a todas as ações de mineradoras de Bitcoin mencionadas em sua nota de pesquisa — com uma exceção. A MARA Holdings tem classificação market perform, um sinal de que a empresa vê nas demais um potencial de valorização de curto prazo maior em relação ao risco. A distinção é importante para investidores que acompanham quais nomes a Bernstein vê como os beneficiários mais claros da tese de aperto de energia para IA.
Desafios políticos e regulatórios para a expansão de data centers de IA nos EUA
O ambiente político em torno da construção de novos data centers de IA está se tornando visivelmente mais complicado — e essa complexidade é, paradoxalmente, um dos argumentos mais fortes para a tese dos acordos de IA com mineradoras de Bitcoin. Se construir novas instalações fica mais difícil, a infraestrutura existente se torna mais valiosa.
Aprovação local e propostas de impostos no Texas
O candidato democrata ao Senado do Texas, James Talarico, teria compartilhado uma proposta que criaria processos de aprovação local mais rigorosos para data centers de IA e revogaria incentivos fiscais existentes para o setor. A proposta sinaliza que, mesmo em um estado conhecido por sua política de energia pró-negócios, o consenso político em torno da expansão de data centers já não é incondicional.
Preocupações ambientais com o uso de água no Oregon
O senador norte-americano Ron Wyden levantou um tipo diferente de preocupação em abril, alertando que data centers de IA no Oregon poderiam agravar a escassez de água durante secas persistentes. Wyden observou que grandes data centers podem consumir até 5 milhões de galões de água por dia e pediu que grandes operadores explicassem como planejavam reduzir a extração de água subterrânea. A intervenção ilustra que o consumo de eletricidade não é o único recurso sob escrutínio.
Iniciativas federais sobre custos de eletricidade e alocação de custos
Em nível federal, o governo Trump publicou em março um Compromisso de Proteção ao Consumidor de Energia (Ratepayer Protection Pledge), comprometendo-se a expandir a infraestrutura de IA sem aumentar as contas de eletricidade de residências e pequenos negócios. Em janeiro, vários governadores estaduais publicaram planos de expansão da rede elétrica, mas insistiram que novos data centers devem arcar com os custos que geram, em vez de repassá-los aos consumidores residenciais existentes.
O risco de execução continua sendo a questão central
Os valores dos contratos anunciados — US$ 9,8 bilhões, US$ 19 bilhões, US$ 2,8 bilhões — chamam a atenção. Mas receita contratada e receita realizada não são a mesma coisa, e a diferença entre elas é onde se concentra o ceticismo dos analistas. The Curious Analyst observou que o risco de execução é significativo à medida que esses acordos avançam do anúncio para o fluxo de caixa.
Esse cronograma importa. As empresas de mineração de Bitcoin estão apostando que sua vantagem de infraestrutura se traduzirá em fluxos de caixa duradouros e previsíveis antes que os mercados de capitais percam a paciência. Os acordos são reais, as contrapartes são confiáveis e as restrições de energia que impulsionam a demanda por IA não vão desaparecer. Mas entre um contrato assinado e um trimestre lucrativo está tudo o que pode dar errado — atrasos em licenciamento, estouros de custos de construção, renegociações com contrapartes e a possibilidade sempre presente de que o ciclo de investimentos em IA esfrie antes que as mineradoras monetizem totalmente sua posição.
As classificações outperform da Bernstein refletem confiança de que o setor chegará lá. Se as empresas individualmente chegarão — e em que ordem — é a questão que definirá quais dessas ações realmente entregarão a promessa do momento de infraestrutura de IA das mineradoras de Bitcoin.
Perguntas frequentes
Por que empresas de mineração de Bitcoin estão envolvidas em infraestrutura de data centers de IA?
Empresas de mineração de Bitcoin fornecem capacidade de computação de terceiros e infraestrutura de energia em grande escala que ajuda a enfrentar as restrições de energia enfrentadas por data centers de IA. Como elas já possuem conexões à rede, locais e equipamentos de fornecimento de energia, podem oferecer capacidade mais rapidamente do que a construção de novas instalações do zero permite.
Quais desafios regulatórios os data centers de IA enfrentam nos EUA?
Data centers de IA enfrentam uma crescente resistência política, incluindo pedidos por processos de aprovação local mais rigorosos, propostas para revogar incentivos fiscais, preocupações com o consumo de água — o senador Ron Wyden citou até 5 milhões de galões por dia no Oregon — e exigências em nível estadual de que os data centers arquem com seus próprios custos de infraestrutura em vez de repassá-los aos consumidores residenciais.
Como a Bernstein classificou as ações de mineradoras de Bitcoin em meio à expansão da infraestrutura de IA?
A Bernstein classifica a maioria das ações de mineradoras de Bitcoin que acompanha como outperform, refletindo confiança em seu posicionamento em infraestrutura de IA. A MARA Holdings é a exceção, classificada como market perform pela empresa.
Quais são os riscos que analistas associam aos acordos de mineração de Bitcoin relacionados à IA?
O principal risco é a execução — converter contratos assinados em receita efetiva. Incertezas regulatórias, prazos de construção e possíveis mudanças nos ciclos de investimento em IA podem afetar se os valores anunciados dos acordos se traduzirão em fluxos de caixa.
Artigo produzido com a assistência de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial.

