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O balanço patrimonial de US$ 562 bilhões do Itaú sustenta teste de valores mobiliários tokenizados no Brasil

O maior banco do Brasil acaba de fazer outra aposta em blockchain, e desta vez há apoio regulatório real por trás dela. O Itaú Unibanco, a maior instituição financeira privada da América Latina, fez parceria com a empresa de infraestrutura de ativos digitais OpenAssets para testar, em todo o país, valores mobiliários tokenizados no Brasil por meio de um projeto-piloto supervisionado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, conhecida como ANBIMA. O projeto vai examinar como títulos de dívida e fundos de investimento podem ser emitidos, negociados e liquidados em trilhos de blockchain, e chega em um momento em que o Brasil está rapidamente se tornando um dos ambientes de teste mais ativos do mundo para colocar instrumentos financeiros tradicionais em registros distribuídos.

Principais pontos

  • O Itaú Unibanco, que administra mais de US$ 562 bilhões em ativos totais, está fazendo parceria com a OpenAssets em um projeto-piloto de tokenização para os mercados de capitais brasileiros.
  • O teste é conduzido pela ANBIMA, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, e utiliza uma blockchain fechada e permissionada, sem transações financeiras reais.
  • A ANBIMA aprovou 20 casos de uso dentre 39 propostas apresentadas por mais de 50 instituições financeiras, gestoras de investimentos e provedores de tecnologia.
  • Debêntures (títulos corporativos) e produtos de investimento geridos são os principais instrumentos em avaliação.
  • A OpenAssets já havia captado anteriormente US$ 10 milhões, em rodada liderada pelo Valor Capital Group com participação da Tether.

Itaú Unibanco e OpenAssets lançam teste de tokenização em blockchain

A colaboração combina a infraestrutura de tokenização da OpenAssets com a ampla experiência do Itaú em mercados de capitais, e essa combinação é justamente o objetivo do experimento. Em vez de construir algo totalmente novo do zero, as duas organizações estão testando se padrões institucionais existentes podem se adaptar à emissão e liquidação baseadas em blockchain sem se romper.

Detalhes da parceria

Pelo acordo, a OpenAssets fornece a espinha dorsal tecnológica durante a fase de testes, enquanto o Itaú aproveita sua posição como um dos maiores bancos da região para definir padrões práticos de gestão de ativos digitais em nível institucional. O banco, sediado em São Paulo, traz escala relevante para a mesa: administra mais de US$ 562 bilhões em ativos totais, segundo números da S&P Global citados em reportagens sobre o negócio. Esse porte importa, porque um banco desse tamanho emprestar seu nome e seu balanço a um projeto-piloto em blockchain envia um sinal a instituições menores que ainda estão em dúvida sobre a tokenização.

Objetivos do programa de tokenização

O objetivo declarado é direto: avaliar o potencial para que títulos de dívida e veículos de investimento sejam emitidos, negociados e liquidados por meio da tecnologia blockchain, e então testar sob estresse os arcabouços regulatórios e operacionais que seriam necessários caso isso avance além de um ambiente controlado. A OpenAssets e o Itaú vão construir provas de conceito técnicas, trabalhar na arquitetura e nos padrões de tokenização e desenvolver os frameworks de conformidade que poderiam, no futuro, sustentar uma infraestrutura de mercado digital mais ampla. A iniciativa analisa especificamente como instrumentos de renda fixa tokenizados e fundos de investimento podem ser emitidos, liquidados e geridos dentro dos tipos de exigências em que as instituições financeiras já operam hoje.

Estrutura e escopo do programa experimental da ANBIMA

Isso não é um projeto paralelo de duas empresas. É uma parte de um esforço coordenado muito maior, liderado pela própria associação da indústria financeira brasileira, para descobrir como os instrumentos tokenizados devem funcionar antes que alguém comprometa dinheiro de verdade com eles.

Gestão regulatória e aprovação

A ANBIMA está no comando e tem sido seletiva em relação a quem pode participar. Em abril, a associação aprovou 20 casos de uso para testes experimentais, escolhidos entre 39 propostas apresentadas por mais de 50 instituições financeiras, gestoras de investimentos e provedores de tecnologia. Esse processo de filtragem sugere que a ANBIMA está tentando manter o projeto-piloto focado em cenários com relevância comercial genuína, em vez de deixar passar toda e qualquer proposta.

Ambiente de testes e casos de uso

Crucialmente, nada disso envolve ainda movimentação de dinheiro real. Os testes rodam em uma rede blockchain fechada e permissionada dentro de um ambiente de testes controlado, o que significa que nenhuma transação financeira efetiva ocorre durante o experimento. Debêntures e produtos de investimento geridos representam os principais cenários em avaliação. O programa também está aproveitando essa janela para definir quais protocolos técnicos e quais estruturas regulatórias bancos e gestores de recursos realmente precisariam se quisessem operar esse tipo de infraestrutura de forma efetiva.

Por que essa distinção importa? Porque um sandbox fechado permite que a ANBIMA e seus participantes encontrem as falhas operacionais — desencontros de liquidação, lacunas de conformidade, questões de custódia — sem colocar em risco recursos de clientes. É a mesma lógica que reguladores em outros lugares já usaram antes de autorizar emissões ao vivo de títulos tokenizados.

Também não é a primeira experiência do Itaú com registros distribuídos. O banco já havia participado da iniciativa Drex do Banco Central do Brasil em 2023, um esforço que explorou transações habilitadas por blockchain usando moeda digital e ativos tokenizados. Essa experiência anterior provavelmente deu ao Itaú uma vantagem inicial para entender onde projetos institucionais em blockchain tendem a tropeçar.

A crescente liderança do Brasil em valores mobiliários tokenizados

O Brasil não chegou a este momento por acaso. O país construiu, de forma discreta, um dos pipelines de tokenização mais ativos do mundo, abrangendo instrumentos de dívida, plataformas cripto voltadas ao varejo e até, em um caso incomum, gado.

Iniciativas complementares de blockchain no Brasil

Em julho de 2025, a instituição de crédito VERT Capital afirmou que planejava converter instrumentos de dívida e recebíveis avaliados em US$ 1 bilhão em tokens utilizáveis na XDC Network. Na mesma época, a plataforma de criptomoedas Mercado Bitcoin revelou planos para tokenizar US$ 200 milhões em ativos usando o XRP Ledger. Em uma frente mais pouco convencional, produtores rurais no estado do Paraná tokenizaram um rebanho de 10 vacas leiteiras, com os tokens resultantes sendo negociáveis por meio de sistemas conectados à bolsa B3. Em conjunto, esses projetos mostram um mercado disposto a experimentar com classes de ativos bem diferentes, não apenas renda fixa tradicional.

Esse dinamismo local espelha uma tendência global. Ativos do mundo real tokenizados que circulam em redes blockchain públicas vêm registrando crescimento superior a uma duplicação de seu valor agregado em um ano, subindo de aproximadamente US$ 18,9 bilhões em agosto de 2025 para US$ 38,3 bilhões atualmente, com base em dados de acompanhamento da RWA.xyz. Títulos do Tesouro dos EUA continuam sendo a categoria dominante no mundo, respondendo por mais de US$ 16 bilhões desse total. Nesse contexto, o avanço do Brasil em valores mobiliários tokenizados regulados posiciona o país como um participante regional relevante em um mercado que se expande rapidamente em escala global — e eleva as apostas sobre se o maior banco da América Latina pode ajudar a definir o modelo operacional que outras instituições irão seguir.

Financiamento e visão de mercado da OpenAssets

A OpenAssets também não é uma novata em busca de credibilidade. No ano passado, a empresa garantiu US$ 10 milhões em financiamento para expandir sua plataforma de tokenização, em rodada liderada pelo Valor Capital Group, com participação da Tether e de membros da família fundadora do Itaú Unibanco. Esse histórico de captação conecta a OpenAssets a alguns dos mesmos círculos financeiros que agora apoiam o projeto-piloto da ANBIMA, o que pode ajudar a explicar por que o Itaú escolheu esse parceiro específico em vez de outros provedores de infraestrutura.

Gabor Gurbacs, presidente e CEO da OpenAssets, apresentou a parceria como evidência de que o Brasil está pronto para ir além da teoria. “O Brasil demonstrou uma inovação excepcional em serviços financeiros, tornando-o um ambiente ideal para avançar a tokenização do teste conceitual para a implementação no mundo real”, disse Gurbacs. Ele também apontou o mercado brasileiro mais amplo como um ambiente em que projetos de tokenização estão passando da experimentação em estágio inicial para sistemas práticos e utilizáveis.

Se essa mudança realmente ocorrer no cronograma descrito por Gurbacs vai depender do que os 20 casos de uso aprovados pela ANBIMA revelarão quando os testes forem concluídos. Por ora, a presença do maior banco da América Latina dentro de um sandbox de tokenização conduzido por reguladores já é, por si só, a manchete — um sinal de que o establishment financeiro brasileiro vê a liquidação baseada em blockchain como algo que vale a pena construir, e não apenas observar à distância.

Perguntas frequentes

Qual é o objetivo do teste de tokenização lançado pelo Itaú Unibanco e pela OpenAssets?

O teste tem como objetivo criar, negociar e processar títulos de dívida e veículos de investimento usando tecnologia blockchain dentro de um arcabouço regulatório controlado.

Quem gerencia o programa de testes de tokenização no Brasil?

O programa é gerenciado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA).

Que tipo de rede blockchain é usada no programa de testes?

Os testes são conduzidos em uma rede blockchain fechada e permissionada, sem transações financeiras reais.

Quais instrumentos financeiros são o foco da avaliação no teste?

Debêntures (títulos corporativos) e produtos de investimento geridos são os principais cenários de avaliação.

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Artigo produzido com a assistência de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial.

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