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Controvérsia sobre o encerramento da BitMart: levantamentos congelados, salários não pagos, reservas em falta

O encerramento em câmera lenta de uma corretora de criptomoedas está se transformando em um acerto de contas bem público. A BitMart, que já foi um player de médio porte no segmento de corretoras centralizadas, está tentando conduzir clientes e sua própria equipe por aquilo que chama de uma liquidação “ordenada” — mas o processo tem levantado mais perguntas do que respostas. A polêmica sobre o encerramento da BitMart se intensificou nas últimas duas semanas, à medida que usuários relatam saques congelados, funcionários tornam públicos salários não pagos e um relatório de prova de reservas prometido pela primeira vez em maio ainda não se materializou.

Pontos principais

  • As negociações na BitMart estão programadas para terminar em 26 de agosto de 2026, com o fechamento completo previsto para 31 de janeiro de 2027.
  • Usuários e pelo menos dois projetos de criptomoedas, OpenGradient e Scandic Coin, afirmam que os saques foram congelados ou atrasados.
  • Funcionários alegam que não receberam o pagamento pelo trabalho do mês passado, e membros da equipe citaram publicamente o cofundador Sheldon e o executivo Li Yi.
  • A BitMart prometeu um relatório de prova de reservas em maio; até agosto, ele ainda não havia sido publicado.
  • A BitMart não entrou com pedido de falência ou insolvência, enquanto a corretora rival MEXC publicou recentemente uma auditoria de reservas mostrando uma taxa de reserva de 288% em Bitcoin.

Cronograma de encerramento da BitMart vai até 2027

O fechamento da BitMart não é um colapso repentino — é um processo programado, de vários meses, e é justamente isso que torna o silêncio em torno de suas finanças tão incomum. Em 26 de julho, a corretora anunciou que deixaria de aceitar novos depósitos, cadastros e ordens naquele mesmo dia às 01h30 UTC. As negociações à vista e de futuros estão programadas para terminar em 26 de agosto de 2026, às 01h00 UTC, e a empresa afirma que encerrará oficialmente as operações até 31 de janeiro de 2027, às 15h59 UTC. Após essa data, os clientes supostamente terão apenas acesso limitado às suas contas.

Isso representa uma janela de aproximadamente um ano e meio entre as primeiras restrições e o fechamento total — tempo de sobra, em teoria, para a BitMart demonstrar que consegue cobrir o que deve aos usuários. Até agora, essa demonstração não aconteceu.

Saques congelados enquanto usuários exigem respostas

Saques congelados estão no centro da disputa sobre saques em corretoras de criptomoedas que agora envolve a BitMart, com várias partes — usuários comuns e pelo menos dois projetos de cripto — dizendo que seus fundos estão presos. Matthew, cofundador da rede de IA descentralizada OpenGradient, disse em 10 de agosto que sua equipe de market making não conseguiu retirar ativos da plataforma. “Nosso MM tem nossos saldos presos na corretora BitMart e não conseguimos tirar”, escreveu ele, acrescentando que a BitMart vinha incentivando detentores de tokens a travar fundos na corretora cerca de uma semana antes de restringir os serviços — um timing que ele chamou de “insano”. Separadamente, o projeto Scandic Coin afirmou que pedidos de saque envolvendo aproximadamente 21.898 USDT, 926.635 SNC e outros 256 USDT não haviam sido processados desde que foram enviados em 26 de julho. A Scandic Coin não declarou a BitMart insolvente de forma explícita, mas pediu que a corretora apresentasse prova verificável de que possui liquidez suficiente para cobrir as obrigações com clientes.

Verificações de compliance ainda podem atrasar pagamentos

A BitMart sustenta que os saques continuam disponíveis durante todo o processo de encerramento, embora tenha alertado os usuários de que os pedidos podem passar por verificações adicionais — entre elas, verificação de identidade, análise da origem dos recursos, confirmação de propriedade da carteira e triagem de sanções. A empresa pediu que os clientes enviem pedidos de saque até 05h00 UTC de 26 de agosto de 2026, alertando que qualquer solicitação enviada depois disso entrará em um processo separado que ainda não foi totalmente detalhado. Himanshu Sahay, cofundador e CTO da Arch Lending, disse ao crypto.news que episódios como esse expõem uma lacuna estrutural nos mercados de ativos digitais: a diferença entre o que uma plataforma diz e o que os clientes podem verificar de forma independente. “Esse não é um problema novo, mas recorrente, que ressurge sempre que uma plataforma enfrenta estresse operacional”, disse Sahay.

Funcionários dizem que não foram pagos

A pressão não vem apenas dos traders. Em 17 de agosto, uma conta que publica sob o nome BitMart 币市 (@BitMart_zh) — não um canal oficial da BitMart — criticou publicamente a gestão da empresa, marcando tanto o cofundador Sheldon quanto a conta oficial da corretora. A postagem afirmava que muitos usuários ainda não conseguiam sacar fundos e que inúmeros funcionários não haviam recebido o pagamento do mês anterior, chamando a situação de algo que “não pode ser varrido para debaixo do tapete com uma simples frase de ‘parar operações’”. As alegações sobre salários não pagos a funcionários da BitMart acrescentam uma dimensão humana ao que vinha sendo amplamente enquadrado como uma disputa sobre fundos de clientes, sugerindo que a pressão financeira da corretora — real ou percebida — pode se estender além das contas de usuários e alcançar a própria folha de pagamento.

Prova de reservas prometida em maio ainda não apareceu

A confiança em qualquer corretora em processo de encerramento, em última instância, depende de uma pergunta: ela consegue provar que tem o dinheiro que deve às pessoas? A BitMart disse em maio que publicaria um relatório de prova de reservas após reclamações anteriores sobre saques, atribuindo aqueles problemas iniciais a um esquema de geração artificial de volume que, segundo a empresa, envolvia 239 contas conectadas. Quase três meses depois, esse relatório ainda não apareceu. A empresa afirmou que divulgaria as informações “em um momento apropriado”, mas não apresentou números de reservas, nem dados sobre o processamento de saques, nem um cronograma de reembolsos.

OpenGradient levanta dúvidas sobre solvência

A ausência de números concretos é exatamente o que alimenta acusações como a de Matthew, da OpenGradient, que questionou abertamente se a BitMart continua solvente. O cofundador Sheldon rebateu publicamente em 8 de agosto, insistindo que a empresa “não fugiu” e “não fugirá” no futuro. Ele disse que a equipe central da BitMart ainda estava conduzindo um inventário de ativos e concluindo a manutenção de sistemas antes da próxima fase do encerramento, e alertou os usuários a não confiarem em capturas de tela ou vazamentos divulgados por funcionários atuais ou antigos. Notavelmente, a declaração de Sheldon tratou de intenção, não de números — não incluiu dados de reservas nem informações verificáveis de forma independente sobre ativos versus passivos.

Sem pedido de falência, enquanto rivais publicam reservas

Apesar das reclamações crescentes, a BitMart não entrou com pedido de falência nem anunciou qualquer processo de insolvência. A Bitcoin Foundation, em uma análise publicada em 27 de julho, observou que a corretora também ainda não revelou por quanto tempo os usuários poderão continuar sacando fundos depois que as operações forem encerradas formalmente. Essa falta de clareza deixa em aberto a questão da prioridade entre credores e o que acontecerá com os saldos remanescentes após janeiro de 2027.

O contraste com o restante do setor é evidente. A concorrente MEXC publicou em agosto uma auditoria de prova de reservas conduzida pela Hacken em 14 de agosto, mostrando índices de reserva acima de 100% em seus principais ativos — incluindo 288% para Bitcoin — e enquadrou a divulgação em uma onda mais ampla de consolidação de corretoras esperada para 2026. Cada auditoria que uma rival publica enquanto a BitMart permanece em silêncio dá às concorrentes mais um motivo para que traders movam seus fundos para outro lugar. Para um setor ainda assombrado por lembranças de colapsos anteriores de corretoras, um encerramento sem números verificados parece menos uma saída ordenada e mais um grande ponto de interrogação — algo que só a transparência, e não o cronograma, pode resolver.

Perguntas frequentes

O que levou a BitMart a encerrar as operações?

Após uma análise de suas circunstâncias operacionais, do ambiente do mercado cripto e de sua perspectiva estratégica, a BitMart anunciou em 26 de julho de 2026 que seguiria com o encerramento, embora nenhuma causa específica tenha sido identificada.

Os clientes da BitMart conseguem acessar seus ativos digitais?

Os saques de criptomoedas continuam sendo permitidos durante o processo de encerramento; no entanto, a BitMart recomenda que os usuários concluam a verificação de identidade e enviem pedidos de saque até 05h00 UTC de 26 de agosto de 2026, já que determinadas solicitações podem exigir análise regulatória adicional. Em um caso relacionado, um cofundador da OpenGradient revelou que sua organização não conseguiu recuperar ativos mantidos na plataforma.

A BitMart publicou prova de reservas?

Não. A BitMart não divulgou um relatório completo de prova de reservas conforme prometido em maio, e o relatório permanecia inédito em agosto, deixando observadores externos incapazes de confirmar a real posição de reservas da corretora.

Os funcionários da BitMart estão recebendo seus salários durante o encerramento?

Muitos funcionários afirmam que não receberam o salário do último mês em meio ao encerramento, de acordo com publicações que citam diretamente o cofundador e a gestão da BitMart.

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Artigo produzido com a assistência de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial.

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