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Processo por Roubo de Criptomoedas da Binance é Revivado Após Tribunal Rejeitar Ordem de Arbitragem

Um tribunal federal de apelações abriu caminho para que oito supostas vítimas de roubo de criptomoedas processem a Binance em tribunal aberto, representando um raro revés jurídico para a maior corretora de cripto do mundo. O processo por roubo de criptomoedas contra a Binance estava preso em um limbo de arbitragem há meses, embora nenhum dos demandantes jamais tenha concordado com os termos de uso da Binance. Agora, graças a uma ordem incomum do tribunal de apelações, o caso deles está voltando para um tribunal federal na Flórida.

Pontos-chave

  • O Tribunal de Apelações dos EUA para o Décimo Primeiro Circuito concedeu um mandado de segurança em 19 de agosto, derrubando uma ordem de um tribunal inferior que havia forçado oito vítimas de roubo de cripto à arbitragem com a Binance.
  • Os demandantes nunca se inscreveram em uma conta na Binance nem concordaram com seus termos, ainda assim um juiz da Flórida impôs a arbitragem em 16 de março de 2026.
  • O processo acusa a Binance Holdings, a BAM Trading Services e o fundador Changpeng Zhao de violações da RICO, infrações de proteção ao consumidor e de operar uma empresa de transferência de dinheiro sem licença.
  • O colegiado de apelação concluiu que o tribunal distrital “interpretou mal as queixas” e decidiu que o caso agora seguirá como litígio, e não como arbitragem.

Décimo Primeiro Circuito permite que vítimas de roubo de cripto processem a Binance em tribunal

A questão central aqui é simples: uma empresa pode forçar alguém à arbitragem com base em um contrato que essa pessoa nunca assinou? De acordo com o Décimo Primeiro Circuito, a resposta é não — pelo menos não nestes fatos. Em uma decisão proferida em Miami na quarta-feira, 19 de agosto, o tribunal de apelações ficou ao lado de oito demandantes que dizem que suas criptomoedas roubadas foram canalizadas pela Binance, determinando que um juiz distrital anulasse sua ordem anterior que impunha a arbitragem.

Mandado de segurança derruba arbitragem forçada

O alívio por mandado de segurança não é algo que os tribunais concedam casualmente. Ele é reservado para situações em que um tribunal inferior cometeu um erro jurídico claro e não há outra forma de corrigi-lo com rapidez suficiente. Foi exatamente essa a situação deste caso, já que a lei federal geralmente impede um recurso imediato de uma ordem que impõe arbitragem. O colegiado chamou o mandado de segurança de um “remédio drástico e extraordinário”, mas concluiu que os demandantes tinham um direito “claro e indiscutível” a ele, dado que não tinham outra via para contestar a ordem de arbitragem antes que ela causasse danos duradouros ao caso.

Histórico do processo e partes envolvidas

A disputa nomeia a Binance Holdings, a BAM Trading Services — que opera a Binance.US — e o fundador da Binance, Changpeng Zhao, como réus. Três dos demandantes, Philip Martin, TF Tang e Yatin Khanna, originalmente ajuizaram sua ação coletiva proposta no Distrito Oeste de Washington em agosto de 2024, pouco depois de um caso separado na Flórida, Osterer v BAM Trading Services, já ter sido enviado para arbitragem.

A Binance pediu para transferir esse caso de Washington para a Flórida ou impor arbitragem lá também. Em abril de 2025, a juíza distrital dos EUA Barbara Rothstein concordou que a sobreposição com Osterer justificava a transferência. O caso chegou ao Distrito Sul da Flórida em 7 de maio de 2025 e depois foi incorporado a uma segunda ação movida por cinco demandantes adicionais. Em 25 de julho de 2025, a Binance, a BAM e Zhao voltaram a pedir a imposição de arbitragem, e o juiz distrital dos EUA Rodolfo Ruiz concedeu esse pedido em 16 de março de 2026 — preparando o recurso que acabou de revertê-lo.

Alegações de violações da RICO e infrações de proteção ao consumidor

No cerne das queixas está a alegação de que a Binance lucrou com crimes que deveria ter detectado. Os demandantes argumentam que criminosos roubaram ou obtiveram fraudulentamente suas criptomoedas e depois as lavaram por meio da plataforma da Binance. Suas alegações citam violações da Lei de Organizações Influenciadas e Corruptas (RICO), juntamente com estatutos de proteção ao consumidor na Califórnia e em Massachusetts.

Além da RICO, o processo alega que a Binance operou como uma empresa de transferência de dinheiro sem licença e ignorou obrigações previstas na Lei de Sigilo Bancário, uma lei federal que exige que instituições financeiras sinalizem transações suspeitas. Nenhuma dessas alegações foi testada em julgamento, mas elas formam a espinha dorsal jurídica de uma ação coletiva de criptomoedas que pode estabelecer um precedente sobre como as corretoras são responsabilizadas quando fundos roubados passam por seus sistemas.

Argumentos jurídicos sobre arbitragem e impedimento equitativo

A defesa da Binance se baseou em uma doutrina jurídica que às vezes pode vincular pessoas a contratos que nunca assinaram. A corretora argumentou que as próprias queixas dos demandantes se apoiavam em direitos descritos em seus termos de uso — incluindo o poder da Binance de congelar contas ou cobrar taxas de transação — e que essa dependência era suficiente para acionar a arbitragem com base em impedimento equitativo.

Defesa da Binance baseada em impedimento equitativo

O impedimento equitativo pode puxar um não signatário para uma cláusula de arbitragem se suas alegações realmente dependerem do contrato que contém essa cláusula. Os advogados da Binance apontaram referências a taxas de transação nas queixas como prova de que os demandantes estavam, na prática, se apoiando nos termos de uso da Binance para fundamentar seu caso. O tribunal distrital aceitou esse argumento, concluindo que o “cerne” do processo era que a Binance havia lucrado ilegalmente com transações ligadas a cripto roubada.

Rejeição, pelo Décimo Primeiro Circuito, da aplicação da cláusula de arbitragem

A decisão do Décimo Primeiro Circuito dos EUA sobre a Binance rejeitou categoricamente esse raciocínio. O colegiado entendeu que as alegações dos demandantes careciam da relação necessária com os termos de uso da Binance, já que suas teses jurídicas se baseavam em deveres impostos de forma independente pelo direito federal e estadual, e não em qualquer contrato. Mencionar taxas de transação, concluíram os juízes, apenas ajudou a explicar por que a Binance supostamente ignorou suas obrigações legais — isso não transformou as alegações em disputas contratuais.

Leitura equivocada das queixas pelo tribunal inferior

Em uma reprimenda contundente, o tribunal de apelações afirmou que o juiz distrital “interpretou mal as queixas” ao tratar essas referências a taxas de transação como se elas ancorassem a disputa dentro dos termos de uso da Binance. O colegiado deixou claro que a Binance não poderia usar o impedimento equitativo “para alterar e expandir uma cláusula de arbitragem que de outra forma não abrangeria as alegações apresentadas”.

Importância processual e próximos passos

E o que acontece agora? As ações coletivas propostas retornam ao Distrito Sul da Flórida, onde os demandantes finalmente podem levar seu caso adiante por meio de um litígio comum, em vez de um processo de arbitragem privada. Isso importa muito além dos oito indivíduos envolvidos. A decisão sinaliza que corretoras de cripto não podem automaticamente arrastar vítimas de roubo para a arbitragem simplesmente porque uma queixa menciona taxas ou termos de conta — as alegações precisam de fato decorrer do próprio contrato.

Para um setor que ainda está definindo como a responsabilidade se aplica a falhas de lavagem de dinheiro e de conformidade, esta decisão sobre o mandado de segurança de arbitragem da Binance oferece um dado concreto: os tribunais estão dispostos a examinar de perto se as cláusulas de arbitragem realmente abrangem a disputa em questão, em vez de aceitar de imediato argumentos amplos de impedimento.

Os demandantes são representados por advogados dos escritórios Keller Rohrback, Silver Miller, Robbins Geller Rudman & Dowd e Herman Jones. A Binance, a BAM Trading Services e Changpeng Zhao são representados por Winston & Strawn — agora operando como Winston Taylor — juntamente com Corr Cronin, Withers Bergman e Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan.

Perguntas frequentes

Por que as vítimas de roubo de criptomoedas foram inicialmente forçadas à arbitragem?

Um tribunal inferior impôs a arbitragem com base em impedimento equitativo, embora as vítimas nunca tenham concordado com os termos da Binance.

Que tipos de alegações as vítimas estão movendo contra a Binance?

Elas alegam violações da RICO, leis de proteção ao consumidor e que a Binance operou uma empresa de transferência de dinheiro sem licença, em violação à Lei de Sigilo Bancário.

Qual foi a base para a decisão do Décimo Primeiro Circuito de permitir o processo em tribunal?

O tribunal entendeu que as alegações careciam de conexão suficiente com a cláusula de arbitragem da Binance e concluiu que o tribunal inferior interpretou mal as queixas quanto às dependências contratuais.

O que acontece com o caso após a decisão do Décimo Primeiro Circuito?

O caso retorna ao Distrito Sul da Flórida para litígio em vez de arbitragem, dando aos demandantes sua primeira chance real de discutir o mérito de seu caso perante um juiz.

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Artigo produzido com a assistência de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial.

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