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Mercado Altista do Bitcoin Acelera à Medida que Recompras de Títulos do Tesouro Impulsionam Disparo até 80.000 $

O Bitcoin passou a última semana fazendo algo que não fazia desde a primavera: forçar os traders a se perguntarem se começou uma virada genuína. O token ultrapassou US$ 80.000 em 25 de agosto, e o cofundador da BitMEX, Arthur Hayes, diz que a resposta é simples. Em um ensaio publicado naquele dia, Hayes argumentou que um mercado de alta do Bitcoin já está em andamento, e que o gatilho não foi um avanço regulatório nem um corte de juros pelo Fed — foi um ajuste técnico em como o Tesouro dos EUA recompra seus próprios títulos.

Pontos-chave

  • O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, elevou o limite de recompra de títulos de longo prazo de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação, com vigência entre 9 de setembro e 4 de novembro de 2026.
  • O Bitcoin saltou cerca de 8,7% imediatamente após o anúncio de 19 de agosto, subindo de cerca de US$ 64.000 para a faixa de US$ 69.750–US$ 71.000, e depois avançou ainda mais até superar US$ 80.000 em 25 de agosto.
  • Os ETFs spot de Bitcoin dos EUA registraram cerca de US$ 517 milhões em entradas líquidas em 19 de agosto, a maior captação diária desde o início de maio.
  • Mais de US$ 4 bilhões em posições vendidas em cripto foram liquidadas à medida que o rali acelerou.
  • Hayes aponta para a Conta Geral do Tesouro, que detém cerca de US$ 940 bilhões a US$ 1 trilhão, como uma potencial fonte de liquidez adicional caso seja usada para recompras futuras.

Arthur Hayes liga as recompras do Tesouro a um novo mercado de alta do Bitcoin

O ensaio de Hayes, intitulado Same Same But Different, vincula a última alta do Bitcoin diretamente à decisão do Tesouro de recomprar mais de sua própria dívida de prazo mais longo. Ele a chama de o mesmo manual, com outra roupagem, que, segundo ele, impulsionou o rali do Bitcoin no fim de 2023 — e argumenta que isso já está se repetindo.

Como as recompras de títulos devem mexer com o preço do Bitcoin

A mecânica, segundo Hayes, é simples. Quando o Tesouro compra títulos antigos, de prazo mais longo, tende a empurrar seus preços para cima e seus rendimentos para baixo. Rendimentos mais baixos tornam menos atraente manter dinheiro em caixa ou em títulos, o que, em teoria, empurra investidores em direção a ativos mais arriscados — entre eles o Bitcoin. Essa é a cadeia de causa e efeito na qual Hayes está apostando, e é o raciocínio por trás de sua afirmação de que este mercado de alta do Bitcoin tem combustível real por trás dele, e não apenas negociação por impulso.

Ecos do manual de Janet Yellen em 2023

Hayes traça uma comparação direta com a abordagem da ex-secretária do Tesouro Janet Yellen em dezembro de 2023, quando ela passou a depender mais da emissão de Treasury bills de curto prazo em vez de títulos de longa duração. Ele diz que essa mudança retirou dinheiro do Programa de Recompra Reversa do Federal Reserve — que ele estima ter caído de cerca de US$ 2,5 trilhões para cerca de US$ 100 bilhões quando Bessent assumiu o cargo em janeiro de 2025 — e o empurrou para os mercados privados. Aquele período, observa Hayes, coincidiu com ralis tanto do Bitcoin quanto do Nasdaq 100, mesmo com o Fed mantendo os juros perto de 5,3% e continuando a encolher seu próprio balanço. Se a abordagem atual de Bessent seguir uma lógica semelhante, argumenta Hayes, o Bitcoin ainda tem espaço considerável para subir. Ele também foi direto ao dizer que o tamanho de recompra anunciado até agora é pequeno demais, por si só, para mover um mercado de dívida de US$ 40 trilhões, e espera que o Tesouro continue ampliando o ritmo das compras em vez de parar onde está.

O Tesouro dos EUA dobra os limites de recompra de títulos de longo prazo

A mudança de política que desencadeou o debate é concreta e datada. Em 19 de agosto, o Tesouro confirmou que pelo menos dobraria o teto de certas recompras de liquidez de longo prazo, elevando o limite por operação de US$ 2 bilhões para um mínimo de US$ 4 bilhões entre 9 de setembro e 4 de novembro.

Detalhes da ampliação das recompras por Scott Bessent

O comunicado de refinanciamento do Tesouro de 5 de agosto já havia autorizado até US$ 38 bilhões em compras de apoio à liquidez para o trimestre, juntamente com até US$ 25 bilhões em recompras de gestão de caixa de curto prazo. A atualização de 19 de agosto, na prática, tornou mais afiada a ferramenta voltada especificamente para títulos de prazo mais longo. Separadamente, o Fed de Nova York vem realizando cerca de US$ 10 bilhões em compras de gestão de reservas durante sua atual janela mensal de operações — uma operação distinta, destinada a manter amplas as reservas bancárias, e que não faz parte do programa de recompra do Tesouro em si.

O Tesouro insiste que isso não é estímulo

É aqui que a história passa a ser contestada. O Tesouro enquadra tudo isso como gestão de dívida — uma forma de manter o mercado de títulos antigos líquido e de administrar sua própria posição de caixa, não uma alavanca para afrouxar a política monetária. Essa narrativa entra em tensão direta com a leitura de Hayes, que trata as recompras como uma injeção de liquidez funcionalmente semelhante a um afrouxamento, embora as autoridades não as descrevam dessa forma. Se o mecanismo realmente se comporta como Hayes espera dependerá de como as compras de setembro e outubro se desenrolarem, não apenas do anúncio.

Reação do Bitcoin: disparada de preço, entradas em ETFs e short squeezes

Os mercados não esperaram confirmação. O Bitcoin se moveu rapidamente nos dias após o anúncio de 19 de agosto, e a ação de preço é a evidência mais clara que Hayes tem para sua tese — mesmo que, por si só, não prove causalidade.

De US$ 64.000 para acima de US$ 80.000

O Bitcoin subiu de cerca de US$ 64.000 antes do anúncio para aproximadamente US$ 69.750–US$ 71.000 em poucos dias, um aumento de cerca de 8,7% ligado especificamente à notícia. O movimento não parou aí. O rali acelerou ao longo da semana seguinte, levando o Bitcoin acima de US$ 80.000 em 25 de agosto, com uma máxima intradiária acima de US$ 81.000 naquele dia, antes de se estabilizar mais perto de US$ 79.000 à medida que novos relatos surgiam. Foi o avanço semanal mais forte que o token havia registrado em meses.

Rendimentos, liquidações e sentimento

Os mercados de títulos também se moveram, ao menos no início. O rendimento do Treasury de 10 anos inicialmente recuou para perto de 4,65% e o de 30 anos para 5,20%. Mas essa queda não se sustentou. Os rendimentos se recuperaram parcialmente em uma ou duas sessões, com o papel de 10 anos voltando a subir acima do nível anterior ao anúncio — ficando perto de 4,71%, com o de 30 anos em torno de 5,24%, segundo as últimas informações. Essa recuperação parcial sugere que os tamanhos de recompra anunciados não aliviaram de forma fundamental as preocupações mais amplas do mercado sobre o endividamento dos EUA e a oferta de dívida.

Do lado cripto, os números foram mais dramáticos. Os ETFs spot de Bitcoin dos EUA registraram cerca de US$ 517 milhões em entradas líquidas em 19 de agosto — seu dia mais forte desde o início de maio — enquanto os mercados de derivativos viram mais de US$ 4 bilhões em posições vendidas serem forçadas a sair à medida que o rali ganhava força. Desenvolvimentos regulatórios e um sentimento geralmente mais favorável em relação às criptos também desempenharam um papel, tornando realmente difícil separar quanto do movimento se deve à liquidez do Tesouro em comparação com outros ventos favoráveis. Nenhuma compra sob os limites ampliados havia sequer ocorrido quando Hayes publicou seu ensaio — o novo cronograma só começa em setembro.

A Conta Geral do Tesouro surge como um coringa maior

Hayes enxerga uma alavanca muito maior ainda intocada: a Conta Geral do Tesouro, que detém algo entre cerca de US$ 940 bilhões e US$ 1 trilhão, dependendo da fonte. Ele chama uma grande redução desse saldo de “caminho do meio” entre as opções disponíveis para Bessent — mais agressivo do que não fazer nada, mas aquém de uma promessa ilimitada de compra de títulos, que Hayes diz que só entraria em jogo se os rendimentos ultrapassassem 5%. Cortes de gastos mais profundos, acrescenta, parecem improváveis diante das próximas eleições.

Bessent afirmou que o Tesouro poderia usar parte desse caixa para recompras sem prejudicar seus leilões programados de dívida de longo prazo. Mas nenhum plano foi anunciado para empregar todo o saldo, e nenhum valor específico foi comprometido para compras. As últimas estimativas de endividamento do Tesouro pressupõem um saldo de caixa de US$ 950 bilhões até o fim de setembro e de US$ 850 bilhões até o fim do ano, com US$ 739 bilhões em dívida líquida negociável detida pelo setor privado esperados para o trimestre atual e mais US$ 628 bilhões no trimestre seguinte. Usar a TGA de forma mais agressiva poderia, temporariamente, colocar mais dinheiro no sistema bancário privado — embora seu efeito duradouro dependa de quão rapidamente o Tesouro reconstrói essa conta por meio de nova emissão de dívida.

A aposta de risco máximo da Maelstrom e os alertas de Hayes

Hayes não está apenas teorizando da arquibancada. Ele diz que seu fundo, Maelstrom, mudou para aquilo que ele chama de exposição de risco máxima, mantendo posições relevantes em Bitcoin, Ether, Ethena e Ether.fi. Ele não revelou tamanhos específicos de posição nem ofereceu registros de portfólio verificáveis de forma independente para sustentar a afirmação. Ainda assim, Hayes foi cuidadoso ao moderar sua própria convicção: ele alertou que ganhos contínuos não excluem correções acentuadas ao longo do caminho e, separadamente, advertiu que a alavancagem continua perigosa para qualquer pessoa que não opere em tempo integral, dado o quão abruptamente a volatilidade pode oscilar em qualquer direção.

O que observar a seguir: 9 de setembro e 4 de novembro

Duas datas agora importam mais do que qualquer manchete. Em 9 de setembro, os limites maiores de recompra entram efetivamente em vigor — o ponto em que a teoria se transforma em compras executadas. Em 4 de novembro ocorre o próximo refinanciamento trimestral do Tesouro, quando as autoridades decidirão se vão ampliar, manter ou reduzir o programa. Comparar os volumes reais de recompra com os rendimentos dos Treasuries, o tamanho da TGA e a ação de preço do Bitcoin ao longo desse período oferecerá o teste mais claro até agora sobre se a tese de liquidez de Hayes se sustenta — ou se a própria descrição do Tesouro do programa como simples gestão de caixa acaba sendo a leitura mais precisa.

Perguntas frequentes

Qual é a visão de Arthur Hayes sobre a recente alta do preço do Bitcoin?

Arthur Hayes acredita que a expansão das recompras de títulos de longo prazo pelo Tesouro dos EUA está injetando liquidez e suprimindo rendimentos, alimentando assim um novo mercado de alta do Bitcoin.

Como o Tesouro dos EUA mudou seu programa de recompra de títulos em 2026?

O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, aumentou o limite das recompras de títulos de longo prazo de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões por operação entre 9 de setembro e 4 de novembro de 2026.

O que aconteceu com os preços do Bitcoin após o anúncio de recompra de 19 de agosto?

O Bitcoin disparou cerca de 8,7%, subindo de aproximadamente US$ 64.000 para algo em torno de US$ 69.750–US$ 71.000 logo após o anúncio, e depois superou US$ 80.000 em 25 de agosto.

O Tesouro dos EUA considera seu programa de recompra um estímulo monetário?

Não, o Tesouro dos EUA caracteriza o seu programa de recompra como um instrumento para sustentar a liquidez de mercado e gerir a sua posição de caixa, em vez de um estímulo monetário.

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