O mundo da fintech está vivendo uma fase de crescimento sem precedentes, impulsionada por dois protagonistas indiscutíveis: neobancos e ativos digitais. Segundo o recente Global Fintech Report 2026 publicado pelo Boston Consulting Group (BCG) e FT Partners, o setor alcançou em 2025 uma rentabilidade recorde, com margens EBITDA médias de 20% e 74% dos principais operadores públicos reportando lucros. Um resultado que marca um ponto de virada para a indústria, cada vez mais central no ecossistema financeiro global.
Summary
Receitas em crescimento e investimentos recordes
Em 2025, as receitas das fintechs superaram 500 bilhões de dólares, crescendo 22% em relação ao ano anterior. Esse ritmo de expansão é mais de quatro vezes superior ao das instituições financeiras tradicionais, sinal de uma transformação profunda das dinâmicas de mercado. O crescimento não foi impulsionado apenas pelo acesso ao capital, mas sobretudo por sólidas performances operacionais.
O renovado interesse dos investidores levou a uma captação de 58 bilhões de dólares em financiamentos acionários em 2025, com um aumento de 53% em relação a 2024. A atividade de IPO também registrou um salto de 50%, alcançando 42 operações, enquanto o volume anual de fusões e aquisições passou de 105 bilhões de dólares em 2023 para nada menos que 251 bilhões em 2025.
Ativos digitais e IA: os novos terrenos de competição
A ascensão dos ativos digitais
Os ativos digitais estão se consolidando como um dos principais motores estratégicos para o crescimento das fintechs. As empresas, de fato, estão apostando em aquisições direcionadas para reforçar suas competências nessa área, assim como em inteligência artificial e em compliance. A competição está cada vez mais acirrada e os tempos de desenvolvimento interno estão se encurtando, tornando as aquisições uma escolha quase obrigatória para permanecer competitivo.
Em 2025, as fintechs concluíram 659 aquisições, superando pela primeira vez as 589 operações realizadas por bancos e outros operadores tradicionais. Excluindo 2023, é a primeira vez que as fintechs lideram o mercado de aquisições, marcando uma mudança de paradigma no setor.
O impacto da inteligência artificial
A inteligência artificial está se revelando um elemento de diferenciação fundamental. As fintechs que conseguiram integrar de forma eficaz a IA em seus processos alcançaram uma produtividade dos desenvolvedores até cinco vezes superior à média. Os avanços são evidentes em áreas como engenharia, subscrição, conformidade e suporte ao cliente. No entanto, o verdadeiro salto de qualidade deriva da reprojetagem dos fluxos de trabalho em torno da IA, em vez da simples adoção de novas ferramentas.
As neobancos ampliam seu raio de ação
Além dos pagamentos: rumo a plataformas multiproduto
As neobancos estão vivendo uma fase de profunda evolução. Elas não se limitam mais aos serviços de pagamento e à aquisição de novos clientes, mas estão construindo plataformas financeiras multiproduto. Entre as novas áreas de expansão destacam-se a gestão de patrimônio, seguros, empréstimos, investimentos e pagamentos transfronteiriços.
O crédito ao consumo representa uma oportunidade particularmente interessante, pois permite às neobancos fortalecer o relacionamento com os clientes graças a metodologias de subscrição alternativas. Na Europa, muitas neobancos já introduziram serviços de investimento, produtos de trading e ofertas de hipotecas. Na América Latina, por sua vez, a atenção se concentra em produtos de crédito e empréstimos pessoais.
Os desafios do mercado norte-americano
Nos Estados Unidos, porém, as condições continuam mais complexas. Os custos de aquisição de clientes são elevados, a regulamentação é fragmentada e o mercado é dominado por bancos consolidados e por uma população já fortemente bancarizada. Nesse contexto, as neobancos estrangeiras encontram mais dificuldade para se impor em larga escala e tendem a se concentrar em segmentos específicos de mercado. As fintechs nacionais, por sua vez, buscam conquistar os clientes de maior valor, preparando-se para uma concorrência cada vez mais acirrada.
Regulamentação e novas estratégias de crescimento
Um quadro normativo em evolução
Os desenvolvimentos normativos estão assumindo um papel cada vez mais central nas estratégias de crescimento das fintechs. A diferença entre a regulamentação bancária e a regulamentação das fintechs está se reduzindo progressivamente nos Estados Unidos, no Reino Unido e na União Europeia. Os caminhos para obter licenças e charters bancários estão se tornando mais acessíveis, embora os requisitos de conformidade continuem rigorosos.
Um número crescente de empresas fintech solicitou cartas bancárias federais norte-americanas para obter vantagens em termos de financiamento, maior controle sobre as ofertas de produtos e a possibilidade de gerir diretamente o relacionamento com os clientes.
Um setor maduro e pronto para novos desafios
“A fintech não apenas se recuperou dos anos de reset, mas saiu do outro lado como um setor fundamentalmente mais maduro”, afirma Inderpreet Batra, Managing Director e Senior Partner da BCG. As principais empresas do setor estão agora combinando rentabilidade com uma rápida expansão para novos produtos e mercados.
Segundo as estimativas da BCG e da FT Partners, a fintech representa hoje cerca de 4% das receitas globais de serviços financeiros. Um dado que testemunha a crescente relevância do setor e seu potencial de transformação para todo o sistema financeiro mundial.
Conclusão: a nova era da fintech
O crescimento das neobancos e dos ativos digitais marca o início de uma nova era para a fintech. A integração de inteligência artificial, a expansão para serviços multiproduto e a adaptação a um quadro normativo em evolução estão redefinindo as regras do jogo. As empresas que souberem aproveitar essas oportunidades serão as protagonistas da próxima fase de desenvolvimento do setor financeiro global.

