A iniciativa da Coreia do Sul para regulamentar os dados de usuários de criptoativos acaba de ganhar dentes mais afiados. A Bithumb, uma das maiores corretoras de criptomoedas do país, foi obrigada a pagar 210 milhões de won (aproximadamente US$ 136.000) pela Comissão de Proteção de Informações Pessoais depois que os reguladores constataram que ela havia transferido dados de usuários para o exterior sem cumprir todos os requisitos previstos na Lei de Proteção de Informações Pessoais. A multa vem acompanhada de uma ordem corretiva — o que significa que a Bithumb deve reformular a forma como lida com transferências transfronteiriças de dados antes de voltar a enviar informações de usuários para o exterior.
Summary
Principais pontos
- A Bithumb foi multada em 210 milhões de won (US$ 136.000) por violar as regras da Coreia do Sul sobre transferência internacional de informações pessoais.
- A corretora compartilhou seu livro de ordens de mercado de Tether USDT com corretoras estrangeiras entre setembro e novembro de 2025 sem o consentimento completo dos usuários, enviando dados para a BingX em vez da corretora Stellar aprovada.
- A Bithumb também transferiu dados pessoais — incluindo nomes, endereços de carteira e datas de nascimento — para 13 corretoras estrangeiras para verificações de conformidade com AML.
- Os reguladores sul-coreanos já haviam multado anteriormente a Bithumb em 36,8 bilhões de won por violações relacionadas a AML, fazendo desta a mais recente em uma série de medidas de fiscalização cada vez mais rigorosas.
- A Comissão de Proteção de Informações Pessoais simultaneamente divulgou novas diretrizes de privacidade para blockchain, instando as empresas a limitar dados identificáveis on-chain desde o início do desenho do produto.
Bithumb penalizada por violar regras de transferência de dados pessoais
A decisão seguiu a 12ª reunião plenária da comissão em 24 de junho. Os reguladores determinaram que a Bithumb havia transferido informações pessoais para o exterior em duas frentes distintas — por meio de acordos de compartilhamento de livro de ordens e por meio de transferências de ativos virtuais — sem cumprir as obrigações de consentimento e notificação exigidas pela lei sul-coreana.
Além da penalidade financeira, a ordem corretiva traz um peso operacional real. A Bithumb deve corrigir seus procedimentos de transferência para o exterior e tornar esses processos claramente visíveis em sua política de tratamento de informações pessoais. Não se trata apenas de uma multa por condutas passadas; é uma diretriz para reestruturar a conformidade daqui para frente.
O que a violação realmente envolveu
O caso remonta a questões levantadas durante uma auditoria parlamentar de 2025 sobre como a Bithumb estava compartilhando dados de livro de ordens com plataformas estrangeiras. O compartilhamento de livro de ordens é um mecanismo de liquidez comum — ele permite que corretoras agrupem ordens de compra e venda para que negociações possam ser casadas entre diferentes plataformas. Mas quando identificadores de usuários e dados de ordens cruzam fronteiras nesse processo, a lei de privacidade acompanha.
Os reguladores descobriram que a Bithumb compartilhou seu livro de ordens de mercado de Tether USDT com corretoras estrangeiras de setembro a novembro de 2025. O problema ia além da própria transferência: os usuários haviam consentido com o envio de dados para a corretora Stellar, mas os dados foram, na verdade, encaminhados para um sistema operado por bingx.com. O destinatário não correspondia ao que os usuários haviam aprovado.
Essa distinção é importante. A lei de privacidade sul-coreana vincula as transferências internacionais de dados ao direito de autodeterminação do usuário sobre suas informações pessoais. O consentimento dado para uma plataforma não cobre outra, mesmo que o propósito declarado seja idêntico.
Transferências para 13 corretoras adicionaram uma segunda camada de violações
Os reguladores também examinaram as práticas de transferência de ativos virtuais da Bithumb, descobrindo uma segunda categoria de violação. A corretora havia fornecido dados de remetentes e destinatários — incluindo nomes, endereços de carteira e, em pelo menos um caso, datas de nascimento — para 13 corretoras estrangeiras como parte de verificações de combate à lavagem de dinheiro (AML).
A comissão reconheceu que as obrigações de AML durante transferências de ativos virtuais podem legitimamente exigir o compartilhamento de certas informações pessoais. Mas essa necessidade não dispensa os requisitos processuais. As empresas ainda precisam seguir os procedimentos de consentimento e notificação previstos na Lei de Proteção de Informações Pessoais antes de enviar dados para o exterior, independentemente da justificativa de conformidade por trás da transferência.
A formulação do regulador foi incisiva: “A transferência transfronteiriça de informações pessoais é uma questão intimamente relacionada ao direito de autodeterminação do titular dos dados.” Essa linguagem indica que os reguladores estão tratando direitos de privacidade e obrigações de AML como obrigações paralelas, não como concorrentes em que AML tem precedência.
Por que essa multa importa mais do que o valor em dólares sugere
Em US$ 136.000, a penalidade é modesta em comparação com os problemas regulatórios anteriores da Bithumb. As autoridades sul-coreanas já haviam multado a corretora em 36,8 bilhões de won — um golpe muito mais pesado — ligado a falhas de AML envolvendo verificações de clientes, monitoramento de transações e transferências envolvendo prestadores de serviços de ativos virtuais estrangeiros não registrados.
Mas a importância desta última ação está menos no valor e mais no que ela sinaliza. A Coreia do Sul está agora entrelaçando a aplicação de normas de proteção de dados diretamente em seu arcabouço de supervisão de cripto, ao lado das obrigações de AML e de reporte fiscal. As corretoras coreanas devem, simultaneamente, rastrear fundos de usuários, avaliar plataformas estrangeiras quanto à conformidade com AML e proteger informações pessoais em cada interação transfronteiriça. A superfície regulatória está se expandindo rapidamente.
Há também uma implicação estrutural para como parcerias de liquidez funcionam na prática. O caso Bithumb demonstra que até mesmo arranjos rotineiros de compartilhamento de livro de ordens podem se tornar violações de privacidade se identificadores de usuários forem enviados para o exterior a uma plataforma diferente daquela para a qual os usuários consentiram. Corretoras que dependem de parceiros de liquidez estrangeiros agora têm um precedente concreto mostrando como essa exposição é tratada sob a lei sul-coreana.
Novas diretrizes de privacidade em blockchain elevam o nível em todo o setor
A comissão não limitou sua sessão de 24 de junho à penalidade da Bithumb. Junto com a sanção, ela divulgou novas diretrizes para proteção de informações pessoais em serviços de blockchain — uma medida que estende o sinal regulatório muito além de uma única corretora.
As diretrizes abordam o que os reguladores chamaram de desafios especiais de privacidade dos sistemas de blockchain: registros de transações que são transparentes, distribuídos e difíceis ou impossíveis de apagar. Entre as áreas específicas cobertas estão controles sobre divulgações on-chain, riscos de rastreamento de transações, compartilhamento de dados entre participantes e a destruição de informações pessoais.
A recomendação central da comissão é que a proteção de privacidade deve ser incorporada desde a fase de planejamento — e não adaptada depois da implantação. Esse princípio, às vezes chamado de privacidade desde a concepção (privacy by design), coloca o ônus de conformidade sobre desenvolvedores e operadores antes de um produto de blockchain entrar em operação, em vez de depois que o regulador bate à porta.
O órgão de fiscalização acrescentou que continuará respondendo de forma rigorosa a violações da Lei de Proteção de Informações Pessoais enquanto trabalha para estabelecer padrões que equilibrem a proteção de dados com o desenvolvimento responsável de novas tecnologias. Para um setor que historicamente tratou a transparência on-chain como uma funcionalidade e não como uma responsabilidade, essa formulação representa uma mudança significativa nas expectativas regulatórias.
A Coreia do Sul também está avançando em uma frente internacional mais ampla. Planos para compartilhar dados de transações de cripto com 48 países sob o Marco de Relatórios de Criptoativos da OCDE mostram que as autoridades coreanas estão construindo um sistema de supervisão coordenado e em múltiplas camadas — no qual verificações de AML, reporte fiscal e proteção de dados pessoais passam a operar cada vez mais como um único desafio de conformidade para qualquer corretora com conexões internacionais.
Perguntas frequentes
Por que a Bithumb foi multada pelos reguladores sul-coreanos?
A Bithumb foi multada por violar as regras da Coreia do Sul sobre transferência internacional de informações pessoais. A corretora compartilhou dados de usuários — incluindo informações de livro de ordens e dados pessoais — com corretoras estrangeiras sem obter o devido consentimento dos usuários, violando a Lei de Proteção de Informações Pessoais.
Quais dados a Bithumb compartilhou no exterior sem consentimento completo?
A Bithumb compartilhou seu livro de ordens de mercado de Tether USDT com corretoras estrangeiras entre setembro e novembro de 2025 e, separadamente, transferiu informações pessoais de usuários — incluindo nomes, endereços de carteira e datas de nascimento — para 13 corretoras estrangeiras como parte de verificações de conformidade com AML.
Quais ações corretivas o regulador exigiu da Bithumb?
A Bithumb foi obrigada a corrigir seus processos de transferência de dados para o exterior para atender aos padrões legais exigidos antes de enviar dados de usuários para fora do país. Ela também deve explicar claramente esses arranjos de transferência em sua política de tratamento de informações pessoais.
Quais novas diretrizes a Comissão de Proteção de Informações Pessoais da Coreia do Sul divulgou?
A comissão divulgou diretrizes de privacidade para blockchain enfatizando controles sobre divulgações de informações on-chain, riscos de rastreamento de transações, compartilhamento de dados entre participantes e os desafios de exclusão de dados em registros distribuídos. As diretrizes conclamam as empresas a incorporar a proteção de privacidade desde as fases mais iniciais do desenho de serviços de blockchain — uma abordagem de privacidade desde a concepção — em vez de tratá-la de forma reativa após o lançamento.
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Artigo produzido com a assistência de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial.

