Os principais órgãos de supervisão financeira da Europa querem facilitar a vida dos participantes menores no mercado de derivativos. Em 3 de agosto de 2026, a Autoridade Bancária Europeia, a Autoridade Europeia dos Seguros e Pensões Complementares de Reforma e a Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados — conhecidas coletivamente como Autoridades Europeias de Supervisão, ou ESAs — publicaram um relatório final propondo alterações na margem bilateral que flexibilizariam as regras de margem inicial para contrapartes abaixo de um limite de € 8 mil milhões definido pelo Regulamento Europeu de Infraestruturas de Mercado, mais conhecido como EMIR.
Summary
Principais pontos
- A EBA, a EIOPA e a ESMA publicaram um relatório final em 3 de agosto de 2026 propondo mudanças nos requisitos de margem bilateral ao abrigo do EMIR.
- A proposta tem como alvo contrapartes abaixo do limite de € 8 mil milhões de margem inicial, aliviando as suas obrigações tanto para novos contratos de derivados OTC como para os já existentes.
- Atualmente, essas contrapartes menores estão isentas apenas para novos contratos, mas ainda precisam depositar margem nos contratos existentes — a alteração eliminaria completamente essa distinção.
- Os projetos de Normas Técnicas de Regulamentação foram enviados à Comissão Europeia, cabendo ainda ao Parlamento Europeu e ao Conselho analisá-los antes de qualquer publicação no Jornal Oficial da UE.
- As ESAs afirmam que a medida responde a pedidos do setor e visa reduzir o encargo regulatório, ao mesmo tempo que alinha a prática da UE com outras jurisdições.
O que as Propostas de Alterações na Margem Bilateral Realmente Mudam
O núcleo desta proposta é simples: ela permitiria que contrapartes menores em derivativos deixassem de depositar margem inicial por completo, em vez de apenas para novas operações. Isso representa uma mudança significativa em relação ao modelo atual e afeta diretamente a forma como empresas abaixo do limite do EMIR gerem o colateral nos seus balanços.
Âmbito das Alterações para Contrapartes Abaixo do Limite de € 8 Mil Milhões
As alterações são direcionadas especificamente a contrapartes sujeitas a requisitos de margem inicial que se enquadram abaixo do limite de € 8 mil milhões definido pelo EMIR para a troca de margem inicial em contratos de derivados de balcão não compensados. Segundo o relatório final das ESAs, o objetivo é simplificar o enquadramento de margem bilateral especificamente para esse grupo, facilitando também a eventual eliminação gradual das obrigações de margem inicial para empresas nesse intervalo.
Obrigações Atuais vs. Propostas de Troca de Margem
Pelas regras atuais, as contrapartes abaixo do limite já têm um alívio para novos contratos — elas não precisam trocar margem inicial ao celebrar novos acordos de derivados OTC não compensados. Mas há um porém: elas ainda precisam continuar a trocar margem nos contratos que já existiam antes de se qualificarem para essa isenção. É uma obrigação dividida que muitos participantes de mercado consideram desnecessariamente complicada.
A revisão proposta dos requisitos de margem do EMIR eliminaria essa divisão. Se for adotada, as contrapartes abaixo do limite deixariam de precisar trocar margem inicial tanto para novos contratos quanto para os existentes. Na prática, isso significa uma regra única e consistente, em vez de dois tratamentos diferentes dependendo de quando o contrato foi assinado.
Processo Regulatório e Próximos Passos
A proposta ainda precisa passar por várias etapas institucionais antes de se tornar juridicamente vinculativa. As ESAs já submeteram o relatório final juntamente com o projeto de Normas Técnicas de Regulamentação à Comissão Europeia para aprovação, que é a primeira etapa formal no processo legislativo da UE.
Depois que a Comissão concluir o seu processo de análise e adoção, as NTR seguirão para escrutínio pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da União Europeia. Só após essa fase as normas alteradas serão publicadas no Jornal Oficial da União Europeia, momento em que passarão a ter efeito jurídico em todo o bloco.
Por que Esta Proposta Regulamentar das ESAs é Importante para os Mercados
Não se trata apenas de um ajuste técnico escondido na engrenagem financeira — a proposta afeta a forma como milhares de empresas menores gerem os custos de colateral associados à negociação de derivativos. O depósito de margem inicial imobiliza capital que poderia ser utilizado em outras finalidades, de modo que a remoção dessa exigência para contrapartes abaixo do limite, tanto em contratos novos quanto em legados, pode reduzir de forma relevante o atrito operacional para empresas que nunca representaram o risco sistémico que a regra original pretendia mitigar.
Há também um ângulo competitivo. As ESAs observam explicitamente que as mudanças promovem maior consistência com a forma como outras jurisdições tratam contrapartes semelhantes, sugerindo que Bruxelas procura evitar colocar empresas sediadas na UE em desvantagem em relação a concorrentes que operam sob regimes regulatórios diferentes. Para um setor que tem reiteradamente pedido simplificação, esta proposta soa como uma resposta direta a essas solicitações, em vez de uma iniciativa regulatória de cima para baixo.
Se a mudança será aprovada sem alterações ainda é uma questão em aberto, já que tanto o Parlamento quanto o Conselho mantêm o poder de devolvê-la ou exigir revisões. Mas a direção é clara: os reguladores sinalizam disposição para reduzir as obrigações de margem inicial quando o perfil de risco subjacente não justifica o custo administrativo.
Perguntas frequentes
Quais são as mudanças propostas para os requisitos de margem bilateral ao abrigo do EMIR?
As alterações propostas isentariam as contrapartes abaixo do limite de € 8 mil milhões da troca de margem inicial tanto para novos contratos de derivados OTC quanto para os já existentes.
Quem são as Autoridades Europeias de Supervisão envolvidas nesta proposta?
A proposta é publicada pela Autoridade Bancária Europeia (EBA), pela Autoridade Europeia dos Seguros e Pensões Complementares de Reforma (EIOPA) e pela Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA).
Qual é a obrigação atual de troca de margem para contrapartes abaixo do limite de € 8 mil milhões?
Atualmente, essas contrapartes estão isentas de trocar margem inicial para novos contratos de derivados OTC, mas devem trocar margem para contratos existentes.
Quais são os próximos passos após a submissão do projeto de NTR à Comissão Europeia?
Após a análise e adoção pela Comissão, as NTR serão escrutinadas pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho antes da publicação no Jornal Oficial da União Europeia.
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Artigo produzido com a assistência de inteligência artificial e revisto pela equipa editorial.

