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MARA compromete 1,2 mil milhões de dólares em Bitcoin por um empréstimo cripto-colateralizado de 750 milhões de dólares

Marathon Digital Holdings acabou de colocar uma parte de seu tesouro de Bitcoin para trabalhar em um dos maiores acordos de empréstimo institucional que uma mineradora de cripto listada em bolsa já assinou. A mineradora listada na Nasdaq, amplamente conhecida como MARA, garantiu US$ 750 milhões em linhas de crédito totais por meio de um empréstimo cripto-colateralizado lastreado em Bitcoin, empenhando 18.750 BTC para dois credores distintos em um acordo que destaca o quanto o empréstimo cripto institucional amadureceu desde o último mercado de baixa.

Principais destaques

  • A MARA garantiu US$ 750 milhões em linhas de crédito totais, divididos entre US$ 450 milhões da Coinbase Credit e US$ 300 milhões da Two Prime Lending.
  • A empresa empenhou 18.750 BTC como garantia, avaliados em aproximadamente US$ 1,2 bilhão no momento da transação.
  • Ambos os empréstimos vencem em agosto de 2028, com a linha da Coinbase trazendo uma opção de extensão de um ano.
  • O empréstimo de US$ 300 milhões da Two Prime tem uma taxa de juros fixa de 7,65%, enquanto a estrutura opera com uma razão empréstimo-valor de aproximadamente 50%.
  • Os recursos financiarão fins corporativos gerais e a aquisição planejada de US$ 1,5 bilhão da Long Ridge Energy & Power pela MARA.

Empréstimo Cripto-Colateralizado de US$ 750 Milhões da Marathon Digital

O novo arranjo de empréstimo da MARA é estruturado em torno de dois empréstimos a prazo e, juntos, eles representam um dos maiores acordos de empréstimo lastreados em Bitcoin já firmados por uma empresa de capital aberto. O valor de US$ 750 milhões cobre tanto capital novo quanto a renegociação de uma linha anterior, dando à mineradora uma linha de crédito substancialmente maior do que tinha antes.

Estrutura do Empréstimo e Fornecedores

Coinbase Credit forneceu US$ 450 milhões do total, enquanto a Two Prime Lending contribuiu com outros US$ 300 milhões. De acordo com reportagem da crypto.news, a própria linha de US$ 450 milhões da Coinbase se divide em US$ 300 milhões de novo financiamento mais a renegociação de uma linha de crédito anterior de US$ 150 milhões que a MARA já tinha. Essa estrutura significa que o acordo entregou US$ 600 milhões de novo endividamento incremental além do valor renegociado, somando o total de US$ 750 milhões.

A parte da Coinbase traz uma taxa de juros flutuante atrelada ao ponto médio da faixa-alvo dos fundos federais mais 3,875%, segundo a mesma reportagem. O empréstimo a prazo de US$ 300 milhões da Two Prime, por sua vez, fixa uma taxa de juros de 7,65% por toda a vida do empréstimo — um detalhe importante porque remove o risco de volatilidade de juros dessa fatia da dívida, mesmo enquanto a linha da Coinbase flutua com a política monetária.

Garantia e Termos do Empréstimo

Para garantir o empréstimo, a MARA empenhou 18.750 BTC como garantia, uma participação avaliada em aproximadamente US$ 1,2 bilhão no momento do fechamento do acordo. Ambos os empréstimos vencem em agosto de 2028 — a linha da Coinbase em 4 de agosto, com uma extensão automática de um ano, a menos que qualquer uma das partes a cancele, e o empréstimo da Two Prime um dia antes, em 3 de agosto de 2028.

A razão empréstimo-valor está em aproximadamente 50%, o que significa que a MARA tomou emprestado US$ 600 milhões contra US$ 1,2 bilhão em Bitcoin empenhado. Essa almofada é destinada a absorver oscilações de preço sem disparar chamadas de margem imediatas, embora ambos os acordos incluam exigências contínuas de cobertura de margem que obrigam a MARA a apresentar garantia adicional se o valor do Bitcoin empenhado cair abaixo dos limites contratuais.

Uso dos Recursos e Expansão Estratégica

O capital não está parado. A MARA destinou o dinheiro a fins corporativos gerais, mas o uso principal é financiar sua aquisição planejada da Long Ridge Energy & Power, um acordo com valor de empresa de aproximadamente US$ 1,5 bilhão, incluindo até cerca de US$ 900 milhões em dívida assumida, de acordo com a própria divulgação de financiamento da MARA.

A Long Ridge opera uma usina termelétrica a gás em Hannibal, Ohio, atualmente classificada em 485 MW e com expectativa de expansão para 505 MW até o primeiro trimestre de 2027. O local inclui mais de 1.600 acres contíguos com acesso a água, fibra e ferrovia, situado ao lado das operações atuais de data center da MARA em Hannibal. Essa combinação de capacidade de energia e terreno dá à MARA opcionalidade para operar mineração de Bitcoin ao lado de cargas de computação de alto desempenho em um momento em que a demanda por data centers de IA compete diretamente com mineradoras de cripto por eletricidade.

Para ajudar a financiar a aquisição, a MARA também garantiu um compromisso do Barclays para uma linha-ponte sênior garantida de 364 dias de até US$ 785 milhões, que pode atuar como financiamento de retaguarda para parte da dívida da Long Ridge. A empresa está perseguindo uma iniciativa paralela de infraestrutura no Texas, onde está adquirindo mais de 1.200 acres no Condado de Matagorda com a Starwood Digital Ventures, visando uma capacidade inicial de 1 GW na rede até outubro de 2027 e até 2 GW até abril de 2028 para operações flexíveis de computação e mineração.

Por Que a Dívida Lastreada em Bitcoin Importa Agora

Esse empréstimo ocorre em meio a uma mudança muito maior na forma como a MARA gerencia seu balanço. De acordo com o formulário 10-Q de 6 de agosto da empresa junto à SEC, a MARA vendeu cerca de 23.093 BTC por aproximadamente US$ 1,63 bilhão durante a primeira metade de 2026, a um preço médio de US$ 70.631, para financiar operações, investimentos em crescimento e necessidades de liquidez. Essas vendas reduziram o tesouro de Bitcoin da empresa para 35.577 BTC em 30 de junho, avaliados em cerca de US$ 2,1 bilhões a um preço de fim de trimestre próximo de US$ 58.524 — abaixo dos 53.822 BTC no fim de 2025.

Esse contexto ajuda a explicar por que a MARA está recorrendo a um empréstimo cripto-colateralizado em vez de simplesmente liquidar mais Bitcoin: empenhar moedas como garantia permite que a empresa levante caixa enquanto ainda mantém exposição ao potencial de recuperação futura de preço. Os recursos das vendas de Bitcoin já ajudaram a MARA a reduzir a dívida total de US$ 3,6 bilhões no fim de 2025 para cerca de US$ 2,4 bilhões em 30 de junho, incluindo aproximadamente US$ 1 bilhão em recompras negociadas privadamente de suas notas seniores conversíveis de 0%.

O primeiro semestre também não foi favorável ao lucro reportado da MARA. A empresa registrou US$ 349,5 milhões em receita, abaixo dos US$ 452,4 milhões de um ano antes, e passou a um prejuízo líquido de US$ 1,87 bilhão, em contraste com o lucro líquido de US$ 274,8 milhões no mesmo período de 2025 — uma virada impulsionada em grande parte por uma queda de cerca de US$ 1,4 bilhão no valor justo de suas participações em Bitcoin à medida que o preço de mercado caiu. Mesmo assim, a MARA continuou expandindo sua presença em mineração, com o hashrate energizado subindo para 70,3 EH/s, de 57,4 EH/s um ano antes.

Fatores de Risco e Implicações de Mercado

O fato de a Coinbase entrar como credora desse porte, ao lado da disposição da Two Prime em fixar uma taxa sobre US$ 300 milhões de dívida lastreada em Bitcoin, sinaliza que os mercados de crédito profissionais se tornaram muito mais confortáveis em precificar Bitcoin como garantia de empréstimo do que estavam há apenas alguns anos. Isso é um marco significativo para o empréstimo cripto institucional de forma ampla — sugere que os credores agora veem grandes participações em Bitcoin, bem documentadas, no balanço de uma empresa de capital aberto como um ativo bancável, e não como uma curiosidade especulativa.

Chamadas de Margem e Riscos de Garantia

O outro lado é o risco de concentração. Com 18.750 BTC empenhados de um tesouro de 35.577 BTC — mais da metade das participações totais da MARA — a empresa tem menos margem de manobra se o preço do Bitcoin cair acentuadamente. A razão empréstimo-valor de aproximadamente 50% fornece uma proteção, mas uma queda prolongada pode forçar a MARA a apresentar garantia adicional ou, no pior cenário, ver os credores moverem-se para liquidar parte de seu Bitcoin empenhado. A MARA também emprestou 4.742 BTC a terceiros e empenhou outros 4.528 BTC como garantia fora deste acordo, deixando cerca de 26.307 BTC irrestritos, avaliados em cerca de US$ 1,5 bilhão — um detalhe que mostra o quanto do estoque cripto da empresa agora está atrelado a atividades de financiamento em vez de permanecer intocado em armazenamento frio.

Maturidade do Empréstimo Institucional

Por que isso importa além da própria MARA? Acordos dessa escala testam se o crédito lastreado em Bitcoin pode funcionar como empréstimo corporativo convencional — com tranches de taxa fixa e flutuante, vencimentos de vários anos, opções de extensão e mecanismos de margem padronizados — em vez de um produto de nicho, de alto juro, reservado a tomadores em dificuldade. Se a MARA servir essa dívida sem problemas até 2028, o acordo se torna um ponto de referência para outras mineradoras e empresas com tesouros em cripto que buscam levantar capital sem despejar suas moedas no mercado aberto.

Perguntas Frequentes

Qual é o valor total do empréstimo cripto-colateralizado que a Marathon Digital garantiu?

A Marathon Digital garantiu US$ 750 milhões em linhas de crédito lastreadas em Bitcoin.

Quem são os credores envolvidos no empréstimo da Marathon Digital e quais são suas contribuições?

A Coinbase Credit forneceu US$ 450 milhões e a Two Prime Lending forneceu US$ 300 milhões para o empréstimo.

Que garantia a Marathon Digital empenhou e qual é o seu valor?

A Marathon Digital empenhou 18.750 BTC como garantia, avaliados em aproximadamente US$ 1,2 bilhão na época.

Qual é a estrutura de vencimento e de taxa de juros dos empréstimos?

Ambos os empréstimos vencem em agosto de 2028. O empréstimo da Coinbase tem uma opção de extensão de um ano, e o empréstimo da Two Prime tem uma taxa de juros fixa de 7,65%.

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