Svolta a bilancio: um novo relatório do Deutsche Bank abre à possibilidade de que o Bitcoin apareça entre as reservas oficiais dos bancos centrais até 2030, ao lado do ouro como ativo de cobertura.
Embora o dólar continue sendo o centro do sistema, há espaço para ativos alternativos em resposta à inflação e tensões geopolíticas. Nesse contexto, a hipótese passa de cenário de nicho para uma opção monitorada com maior atenção; a tese é coerente com os dados sobre as composições das reservas publicados pelo IMF COFER, que mostram a persistência do papel do dólar.
De acordo com os dados coletados pela nossa equipe de analistas e pelas verificações on‑chain conduzidas no primeiro semestre de 2025, observou-se uma melhoria mensurável na profundidade dos order book em venues regulamentadas e uma compressão média progressiva dos spreads nos ETP institucionais.
As entrevistas com desks de custódia e operadores de mercado confirmam ainda que em 2025 numerosos atores completaram atualizações infraestruturais para a custódia institucional, melhorando processos de governança e auditoria. Esses feedbacks de campo reforçam a interpretação do Deutsche Bank e os dados oficiais disponíveis.
Summary
O que diz o relatório: coexistência com o ouro e volatilidade em queda
Os analistas do Deutsche Bank consideram plausível que o Bitcoin possa acompanhar o ouro como ativo de reserva. Entre os sinais-chave destacam-se uma volatilidade de 30 dias em diminuição – que atingiu mínimos plurianuais em agosto de 2025 – uma maior profundidade de mercado e uma atenção regulatória reforçada nas principais jurisdições.
É importante mencionar que a combinação desses elementos favorece uma normalização progressiva do ativo.
O percurso hipotético reflete o do ouro, passando de um ceticismo inicial a uma aceitação gradual, em virtude de sua escassez, da baixa correlação com os mercados tradicionais e da função de cobertura em cenários de estresse macroeconômico. Dito isso, a coexistência com o ouro é vista como complementar, não substitutiva.
Por que agora: três fatores de adoção
- Diversificação das reservas além de dólar, euro e ouro, com uma gestão mais equilibrada dos riscos.
- Geopolítica: a fragmentação dos mercados e a imposição de sanções impulsionam a busca por ativos considerados “neutros”, úteis em momentos de estresse.
- Infraestrutura: a evolução da custódia institucional e padrões contábeis mais claros facilitam a adoção, reduzindo fricções operacionais.
Até 2030: os fatores que podem torná-lo realista
O Deutsche Bank sugere que alguns bancos centrais possam incluir Bitcoin em seus balanços até 2030, enquanto continuam a manter o ouro como reserva principal.
A trajetória dependerá de elementos como a clareza regulatória nos EUA, UE e Ásia – conforme delineado nas disposições em evolução, incluindo o pacote MiCA na Europa – da necessária estabilidade dos preços com quedas adicionais na volatilidade, e da liquidez dos mercados spot e derivativos, com spreads estreitos e confiabilidade dos instrumentos como os ETP. De fato, sem esses pressupostos, a inclusão nas reservas permaneceria prematura.
- Regras: maior clareza normativa nos EUA, UE e Ásia e a aplicação plena dos quadros existentes, para reduzir a incerteza jurídica.
- Estabilidade: redução adicional da volatilidade e menor correlação do Bitcoin com outros ativos durante as crises, confirmando seu papel de cobertura.
- Liquidez: mercados spot e derivados mais profundos, spreads reduzidos e consolidação dos ETP, garantindo assim uma execução eficiente.
- Custódia e auditoria: soluções de nível institucional e controles on-chain verificáveis, com processos de verificação independentes.
- Normas contábeis: diretrizes consistentes para a avaliação a valor justo e a divulgação nos balanços, garantindo comparabilidade.
Impacto nos mercados: números chave e fontes
- Preço BTC: em torno de 112.915,50 USD, de acordo com o relatório (com dados atualizados no momento da publicação). Algumas sessões registraram picos acima de 123.500 USD, evidenciando uma tendência de maturação, embora com fases de ajuste. Dados atualizados em 22 de setembro de 2025.
- Volatilidade 30 dias: atingiu mínimos plurianuais em agosto de 2025, conforme relatado por fontes independentes de dados on-chain. Este aspecto, se confirmado, reforça a tese de um mercado mais maduro.
- Quota do dólar: o dólar representa cerca de 57% das reservas globais, segundo as séries atualizadas do IMF COFER. Em outras palavras, a primazia permanece firme (dado COFER mais recente).
- China: as detenções de Treasury dos EUA caíram cerca de 57 bilhões de USD em 2024, de acordo com os dados do portal UST TIC. Um sinal que se insere na estratégia mais ampla de diversificação.
- Ouro: atingiu um máximo histórico de cerca de 3.763 USD/onça (como evidenciado nos principais futuros, por exemplo, no site do CME) e registrou desempenhos anuais acima de 40% em algumas fases, testemunhando seu papel de âncora.
Países e áreas: onde a adoção é mais provável
O quadro varia dependendo do acesso ao dólar, das regras vigentes e das prioridades de política monetária. Algumas regiões podem adotar Bitcoin de forma mais contida ou experimentar dinâmicas diferentes. No entanto, a direção do movimento está sendo observada com crescente atenção por mais atores.
- América Latina: economias caracterizadas por alta inflação e risco cambial podem começar a experimentar pequenas quotas de utilização; El Salvador permanece um caso excepcional, não replicável em outras nações, pelo menos no curto prazo.
- Médio Oriente: já é visível uma estratégia de diversificação no ouro, com um interesse potencialmente exploratório em Bitcoin, embora com forte prudência e abordagem gradual.
- Ásia: as jurisdições crypto-friendly podem liderar inovações de mercado, enquanto os grandes bancos centrais preferem a estabilidade e o controle de capitais, privilegiando passos incrementais.
- Europa: a atenção se concentra nos riscos sistêmicos e no dossiê do euro digital, com um monitoramento cuidadoso sem movimentos imediatos, em linha com a abordagem prudente.
- Estados Unidos: apesar de estar na vanguarda em termos de infraestrutura e padrões, existem poucas probabilidades de uma rápida adoção direta de Bitcoin nas reservas oficiais no curto prazo, dados os constrangimentos institucionais.
Regulamentação e estabilidade: o que observar
O quadro regulatório e de estabilidade está se consolidando. Na Europa, o pacote MiCA está sendo implementado em fases, enquanto nos EUA continua-se na definição de regras relativas a spot ETF, custódia e contabilidade, em um contexto ainda em evolução.
Na Ásia, hubs financeiros estão aprimorando licenças e requisitos prudenciais para o setor crypto. Em síntese, a direção é de maior clareza, mas o timing é crucial.
Para a inclusão do Bitcoin nas reservas oficiais é fundamental a transparência dos mercados, a confiabilidade dos custodians e um perímetro AML/CFT plenamente operacional, com uma redução sustentada da volatilidade. Dito isso, a verificação em campo desses requisitos continua sendo determinante.
Cobertura contra a inflação: analogias e diferenças com o ouro
Bitcoin compartilha com o ouro características como a escassez e a função de hedge contra a erosão do poder de compra.
No entanto, embora o Bitcoin apresente uma história mais curta e uma maior sensibilidade aos ciclos de liquidez global, segundo Deutsche Bank nenhum dos dois ativos substituirá o dólar, mas ambos contribuirão para equilibrar os riscos no mix das reservas. Neste contexto, a lógica é de complementação e diversificação.
FAQ
Por que um banco central deveria incluir Bitcoin?
La diversificação das reservas, a redução da exposição aos choques do dólar e a obtenção de cobertura contra inflação e riscos geopolíticos estão entre as razões principais.
Condições indispensáveis são regras normativas claras, elevada liquidez, custódia segura e volatilidade contida. Sem essas salvaguardas, o papel do Bitcoin nas reservas permaneceria necessariamente limitado.
Conclusões
A inclusão do Bitcoin nos balanços oficiais até 2030 parece plausível, embora condicionada a progressos na regulamentação, estabilidade de preços e infraestrutura de mercado.
O dólar permanece o pilar das reservas globais, enquanto ouro e Bitcoin podem desempenhar um papel complementar de cobertura em um contexto financeiro cada vez mais fragmentado. Em última análise, o resultado dependerá da capacidade do mercado de consolidar padrões e práticas à prova de estresse.

