Uma ordem de um juiz argentino para congelar carteiras de criptomoedas conectadas ao escândalo do memecoin LIBRA expôs o quão difícil é realmente parar fundos depois que eles começam a se mover on-chain. O caso agora depende de se as grandes corretoras irão cooperar — e se o dinheiro ainda está lá para ser congelado.
Summary
Principais pontos
- O juiz federal Marcelo Martínez de Giorgi ordenou a identificação e o congelamento de 25 carteiras de criptomoedas ligadas ao caso do memecoin LIBRA.
- As carteiras estão distribuídas entre a Binance, Bybit, OKX e Bitfinex, e o juiz solicitou registros de KYC, endereços IP e históricos de transações de todas as quatro plataformas.
- Em 10 de maio, 498.539 USDT foram movidos por meio de um protocolo de interoperabilidade para uma carteira na rede Tron, depois divididos em 17 transações para obscurecer o rastro.
- O analista de criptomoedas Fernando Molina estimou que cerca de US$ 8,2 milhões estavam parados antes do movimento de maio — e confirmou, em 14 de julho, que nenhum fundo foi efetivamente congelado até agora.
- Quatro das oito carteiras da “Libra Team” remontam a uma carteira já congelada por quase seis meses a pedido do Tribunal do Distrito Sul de Nova York, nos EUA.
Ordem judicial mira 25 carteiras de criptomoedas ligadas à LIBRA
O juiz federal argentino Marcelo Martínez de Giorgi ordenou a identificação e o congelamento de 25 carteiras de criptomoedas vinculadas à investigação do memecoin LIBRA, instruindo as grandes corretoras a entregar detalhes de contas e dados de transações dos supostos titulares das carteiras. A ordem, revisada pelo Clarín, representa um dos passos judiciais mais concretos até agora em um caso que atrai a atenção das autoridades argentinas e norte-americanas desde o colapso do token no início de 2025.
As carteiras alvo estão distribuídas entre quatro das maiores corretoras centralizadas do mundo: Binance, Bybit, OKX e Bitfinex. Pelo menos dez das transações sinalizadas passaram pela Binance, de acordo com a reconstrução policial. O conjunto de carteiras também incluía oito carteiras na Bybit, duas na OKX e duas na Bitfinex.
Como as corretoras centralizadas exigem documentos de identidade, a ordem do juiz tem peso real em teoria. Martínez de Giorgi solicitou registros de KYC, endereços IP associados e históricos de transações — essencialmente tudo o que permitiria aos investigadores colocar um nome real por trás de cada carteira. Se as corretoras irão responder, e com que rapidez, é uma questão totalmente diferente.
Como os investigadores rastrearam o dinheiro
Relatório de Cibercrime da Polícia Federal Argentina
A ordem judicial baseia-se diretamente em um relatório do Departamento Técnico de Cibercrime da Polícia Federal Argentina, que começou a rastrear movimentos de criptomoedas entre redes a partir de maio. Esse trabalho forense foi o que deu ao juiz elementos suficientes para agir — mapeando uma cadeia de atividade de carteiras que acabou apontando para contas em grandes plataformas.
O movimento de fundos de 10 de maio
O detalhe mais marcante no relatório policial é o que aconteceu em 10 de maio. Uma saída em massa de fundos utilizou um protocolo de interoperabilidade para mover 498.539 USDT das carteiras alvo para uma carteira na rede Tron. A partir daí, os fundos foram fracionados em 17 transações separadas — uma técnica deliberada de “layering” projetada para tornar o rastro mais difícil de seguir.
Esse tipo de movimentação em múltiplos saltos por meio de protocolos cross-chain é uma dor de cabeça crescente para as autoridades. Diferentemente de uma simples transferência on-chain, pontes de interoperabilidade podem fragmentar e redirecionar fundos de maneiras que tornam o rastreamento significativamente mais complexo, mesmo para analistas forenses experientes.
Analista estima US$ 8,2 milhões em fundos parados
O analista de criptomoedas Fernando Molina, creditado pelo Clarín como um dos primeiros a mapear o rastro do dinheiro da LIBRA, já havia reconstruído anteriormente que cerca de US$ 8,2 milhões estavam parados nessas carteiras antes que a atividade fosse retomada em maio. A movimentação repentina desses fundos — após meses de inatividade — é precisamente o que atraiu um novo escrutínio tanto das autoridades argentinas quanto de pesquisadores on-chain.
Ações legais e status da aplicação
Nenhum congelamento confirmado até agora
Aqui está a lacuna entre a ordem e a realidade: em 14 de julho, nenhum congelamento efetivo de fundos havia sido confirmado. Molina foi explícito sobre isso no X, escrevendo em espanhol que a diretriz judicial “é apenas um pedido que, até onde sabemos, ainda não foi atendido pelas corretoras”. Os fundos derivados da LIBRA, acrescentou ele, ainda não foram congelados.
Essa distinção é extremamente importante. Uma ordem judicial que mira carteiras em corretoras sediadas no exterior não é o mesmo que fundos congelados. Cada corretora precisaria cumprir voluntariamente — ou ser compelida por meio de canais legais formais — antes que quaisquer ativos fossem efetivamente bloqueados. Considerando que os fundos podem ter se movido ainda mais desde maio, a janela para uma aplicação eficaz pode estar se estreitando.
Conexão transfronteiriça com autoridades dos EUA
A investigação argentina não existe de forma isolada. O relatório policial rastreou quatro das oito carteiras da “Libra Team” até uma única carteira identificada como “61yk”, que já havia sido congelada por quase seis meses a pedido do Tribunal do Distrito Sul de Nova York — o mesmo escritório que investiga o criador do token LIBRA, Hayden Davis. Esse vínculo sugere ao menos uma coordenação parcial entre as autoridades argentinas e norte-americanas, embora o quadro jurisdicional permaneça complexo.
A sobreposição também levanta uma questão prática: se algumas dessas carteiras já estão sujeitas a um congelamento nos EUA, o que acontece quando a Argentina emite uma ordem paralela? Os dois sistemas jurídicos precisariam atuar em conjunto para evitar diretrizes conflitantes — e esse tipo de coordenação transfronteiriça raramente se move tão rápido quanto os fundos que tenta alcançar.
Contexto sobre o colapso do token LIBRA
O token LIBRA colapsou no início de 2025, em questão de minutos após o presidente argentino Javier Milei promovê-lo publicamente. A velocidade do colapso — e o padrão de atividade das carteiras que se seguiu — está no centro da investigação argentina desde então. A promoção de Milei deu ao token visibilidade instantânea, o que torna o crash subsequente e os supostos movimentos de fundos politicamente, bem como juridicamente, significativos para a Argentina.
O que a atual ordem de congelamento revela, em última análise, é a tensão estrutural no cerne da aplicação da lei em cripto: o blockchain registra tudo, mas parar fundos exige a cooperação de empresas privadas que operam em múltiplas jurisdições. Os investigadores argentinos podem rastrear os USDT, mapear as carteiras e protocolar as ordens — mas até que Binance, Bybit, OKX e Bitfinex realmente respondam, o dinheiro permanece em limbo.
Perguntas frequentes
Quais carteiras o juiz argentino ordenou que fossem congeladas?
O juiz Marcelo Martínez de Giorgi ordenou a identificação e o congelamento de 25 carteiras de criptomoedas ligadas ao caso do memecoin LIBRA, mirando contas mantidas na Binance, Bybit, OKX e Bitfinex.
Quais corretoras de criptomoedas estão envolvidas na investigação das carteiras da LIBRA?
As carteiras alvo estão vinculadas a quatro grandes corretoras centralizadas: Binance, Bybit, OKX e Bitfinex. Pelo menos dez transações sinalizadas passaram apenas pela Binance.
O congelamento dos fundos foi confirmado pelas corretoras?
Não. O analista de criptomoedas Fernando Molina confirmou em 14 de julho que a diretriz judicial continua sendo um pedido e ainda não foi atendida pelas corretoras. Os fundos derivados da LIBRA ainda não foram congelados.
O que desencadeou a investigação sobre essas carteiras?
A investigação baseou-se em um relatório do Departamento de Cibercrime da Polícia Federal Argentina, que rastreou movimentos de criptomoedas a partir de maio — incluindo uma transferência em massa de 498.539 USDT em 10 de maio por meio de um protocolo de interoperabilidade projetado para obscurecer o rastro.
Artigo produzido com a assistência de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial.

